Retirado do nº 10959 – Pedro Calapez
Era austero e sizudo; não havia
Frade mais exemplar nesse convento;
(…)
Uma vez que na extensa livraria
Folheava o triste um livro pardacento,
Viram-no desmaiar, cahir do assento,
Convulso, e tôrvo sobre a lágea fria.
De que morrêra o venerando frade?
Em vão busco as origens da verdade,
Ninguem m’a disse, explique-a quem pudér.
Consta que um bibliophilo comprára
O livro estranho e que, ao abril-o, achára
Uns dourados cabellos de mulher…
Gonçalves Crespo in “Nocturnos”

5703 – [PORTUGAL, BRASIL, LEGISLAÇÃO, ADMINISTRAÇÃO, EXÉRCITO, GUERRA PENINSULAR, ALVARÁS, DECRETOS E EDITAIS] . s.d [1800 – 1820] 6 pp.; 3 pp; 7pp; 4 pp; 4 pp; 6 pp; 4 pp; 16pp; 8pp; (3); 7pp; 4 pp; 4pp; 4pp; 4pp;4pp; 4pp; 4pp; (2) pp; 7 pp; 8 pp; 12 pp; 6 pp; 10 pp; (2) pp; 8 pp; 6 pp; (4); 4pp; 56 pp; 4pp; 4pp; 4pp; 8 pp; (2) pp; 16 pp; 3 pp; 3pp; 3pp; 3pp; 4pp; 39 pp; 36 pp; 4 pp; (1); 13 pp; 4 pp; 7 pp; 2pp; 4 pp; 4pp; 4pp; 51 pp; 4 pp; 2 pp; 2 pp; 4 pp; 11 pp; (3)pp;. 21 cm x 14, 5 cm. E.
Interessante edição de diversos Alvarás, Decretos e documentos similares, aqui reproduzidos em pequeno formato.
As legislações a as disposições abrangem os mais variados temas, como por exemplo, justiça, agricultura, baldios, lotaria, comércio, medicina, organização do exército, etc.
A título meramente exemplificativo destacamos os seguintes documentos:
– “Regimento da Relação da Cidade de S. Luiz do Maranhão (…) dado no Rio de Janeiro aos 13 de Maio de 1812” (38 págs).
– “Regulamento para a Organização do Exercito de Portugal publicado por ordem de Sua Alteza Real (…) dado no Palácio do Rio de Janeiro aos 21 de Fevereiro de 1816” (51 págs).
Encadernação inteira de pele. Interior em bom estado de conservação.
Preço: 300 euros.


10793 – Andrade, Eugénio de – OS AFLUENTES DO SILÊNCIO. Porto. Editorial Inova. 1974. 183 – (7) pp. 25 cm x 17, 5 cm. B.
Edição especial desta obra de Eugénio de Andrade. Edição assinada pelo autor e numerada.
Exemplar nº 105/200.
Sobrecapa reproduz um desenho de Manuel Pinto destinado exclusivamente a esta tiragem.
Exemplar em bom estado de conservação.
Preço: 60 euros.

10794 – Andrade, Eugénio de – AS MÃOS E OS FRUTOS. OS AMANTES SEM DINHEIRO. Porto. Editorial Inova. 1973. 89 – (13) pp. 20 cm x 17, 5 cm. B.
Edição especial desta obra de Eugénio de Andrade. Edição assinada pelo autor e numerada.
Exemplar nº 105/200.
Sobrecapa reproduz um desenho de Ângelo de Sousa destinado exclusivamente a esta tiragem.
Sobre “Amantes sem dinheiro” diz-nos o seguinte João Gaspar Simões (ver “Critica II – Poetas Contemporâneos” pp. 162): “Eugénio de Andrade, com o seu Os Amantes sem Dinheiro, coloca-se entre os que, na falange dos poetas
que não renegam a sua parte na tradição de que herdaram muito do que é o substratum da sua ascensão à Beleza — aquele estímulo inicial que os mestres do lirismo lhes ensinam —, vão mais longe do que é usual. Eis porque nos desvenda novas perspectivas nas «correspondências» que só o poeta sabe descobrir entre os sinais que são as palavras e as coisas que elas evocam como por magia. Graças a uma como que familiar intimidade entre os seres e os elementos, entre as espécies, animais e vegetais, entre o usual e o excepcional, entre o que é possívele o que é impossível, ei-lo que faz intervir na sua poesia
uma corrente de metáforas e de imagens que a tornam como que um espelho de tudo quanto existe à superfície da Terra.”
E por isso vale a pena ler:
“Tinham o rosto aberto a quem passava.
Tinham lendas e mitos
e frio no coração.
Tinham jardins onde a lua passeava
de mãos dadas com a água
e um anjo de pedra por irmão.
Tinham como toda a gente
o milagre de cada dia
escorrendo pelos telhados,
e olhos de oiro
onde ardiam
os sonhos mais tresmalhados.
Tinham fome e sede como os bichos,
e silêncio
à roda dos seus passos.
Mas a cada gesto que faziam
um pássaro nascia dos seus dedos
e deslumbrado penetrava nos espaços.”
Exemplar em bom estado de conservação.
Preço: 70 euros.


10960 – Andresen, Sophia de Mello Breyner – A CASA DO MAR. CONTOS. Lisboa. Galeria São Mamede. 1979.
Edição da Galeria São Mamede destes contos de Sophia de Mello Breyner Andresen (1919 – 2004).
Edição ilustrada com reprodução a cores das serigrafias Recanto do Poeta e Azulejos de Volubilis de Maria Helena Vieira da Silva.
Encadernação editorial cartonada. Sem sobrecapa. Interior em bom estado de conservação.
Preço: 40 euros.

9114 – Ayala, Pedro – SERMON DE NUESTRO GLORIOSO Y SANTO DOCTOR LUZ DE LA IGLESIA Y MAESTRO DE LA TEULUGIA SAGRADA SANTO THOMAS…Barcelona. Por Pedro Lacavalleria. 1628. 38 pp. 20 cm x 14, 5 cm. B.
“Predicado por el Maestro Fray Pedro de Ayala de la Orden de Predicadores, dia de la Encarnacion, del Año 1628 que fue el segundo de las fiestas que se hizieran en Santa Catalina Martyr, insigne Monasterio, y religiosíssimo de la dicha orden en Barcelona.”
Com uma xilogravura na portada que representa S. Tomás de Aquino.
IB, no. 21815.
Exemplar em bom estado de conservação.
Preço: 300 euros.


9108 – BIBLIA BREVES IN EADEM. ANNOTATIONES, EX DOCTIS. INTERPRETATIONIBUS, & HEBRAEORUM COMMENTARIIS. Vaeneunt Lugduni, in aedibus Vicentii de Portonariis. 1536. [8] – 320 – 78 fl. 33, 3 cm x 23, 5 cm. E.
*ii//8; a-z//8; A-R//8; AA-II//8; KK//6
No final da “Biblia” aparece LVGDUNI. Excudebat Iohannes Crespin, Anno à CHRISTO nato Trigesimosexto supra sesquimillesimum.
junto com
INDEX RERUM ET SENTENTIRAUM QUAE IN VETERIS ET NOVI TESTAMIT LIBRIS CONTINENTUR. [LYON]. Vicentius de Portonariis. 1536. 81 fl. 33, 3 cm x 23, 5 cm. E.
aa-ii//8; kk//9
junto com
HEBRAICA, CHALDAEA, GRAECAQVE, ET LATINA, NOMINAVIRORUM, MVLIERVUM, POPVLORVM, IDOLORVM, URBIVM, FLVVIORVM, MONTIVM, CAETERORVMQVE LOCORVM QVAE IN BIBLIIS VTRIVSQVE TESTAMENTI SPARSASVUNT, RESTITVTA, CVMINERPRETATIONE LATINA. Vicentius de Portonariis. 1536. 41 pp. 33, 3 cm x 23, 5 cm. E.
aa-dd//8; ee//9
Raríssima “Bíblia” proibida em Espanha pela “Censura General de Biblias” (1559). Em França, onde esta obra foi impressa (Lyon, 1536), parecem ter sobrevivido poucos exemplares. Na Biblioteca Nacional de França apenas se encontram as edições com o mesmo título de 1532, 1534, 1537 e 1540 que apresentam inúmeras diferenças. Em Lyon terá sido impressa uma variante em 1536 e a edição de 1537. Na Bayerische Staatsbibliothek há um exemplar com uma colacção idêntica, mas com notórias diferenças na folha de rosto.
Supomos que esta “Biblia” será uma versão baseada no texto e nas soluções gráficas usadas por Robert Estienne (1503 – 1559) na mesma época. As modificações introduzidas no texto saído dos prelos de Estienne não foram aceites pela Igreja Católica, o que pode explicar o facto desta Bíblia de 1536 estar proibida pela “Censura Geral”, como aliás parece ter acontecido com vários exemplares com o mesmo conteúdo ou com conteúdos semelhantes.
Obra de generosas dimensões e de elevado apuro gráfico, esta Bíblia editada através de uma reunião de esforços de três grandes livreiros e impressores estabelecidos em Lyon no século XVI: Jacques Giunta, Vincent de Portonariis e Scipion de Gabiano. O livro apresenta belíssimas capitulares e esquemas explicativos, notas e marginália sendo por isso uma verdadeira jóia da tipografia francesa do século XVI.
Nota manuscrita antiga em português à cabeça do pp. I da primeira parte em que é feita referência a algumas “mãos” pintadas nas margens do livro (que de facto aparecem nas páginas finais do volume).
Marginália antiga manuscrita em português na pp 66v da “Biblia”. Texto de difícil leitura, parece referir-se a possíveis problemas “contra a fee” desta edição.
Exemplar encadernado. Encadernação inteira de pele. Encadernação de difícil datação pois parece reaproveitar elementos da encadernação original. Contudo deve tratar-se de uma encadernação de finais do século XIX. Obra completa. Com três folhas de rosto autónomas (que designaremos por “parte” para facilitar a descrição).
Folha de rosto da primeira parte com manchas e com assinaturas de posse antigas. Restauro antigo nas margens da folha de rosto e dos fólios *ii (afectanto marginália impressa), *iii e *iiii. Pico de traça na margem do fólio a// a g// (que se vai adensando). Folha manuscrita inserida no fólio e//2. Corte à cabeça do fólio K//vi. Aparece pico de traça no canto inferior do fólio K2 a O sem tocar o texto. Pico de traça na margem inferior do fólio AA// a EE// sem tocar o texto. Manchas ocasionais ao longo do volume. Notas e sublinhados manuscritos antigos.
Segunda parte com mancha que se acentua no fólio hhh e que continua para o terceiro volume. Terceira e última parte volume com folha de rosto manchada. Com furo e perda de texto na última página (fólio ee//9) do último parte.
Apesar dos defeitos mencionados pode considerar-se um exemplar em bom estado de conservação.
“Worldcat” localiza apenas dois exemplares iguais ao que aqui apresentamos (completos): um na Bibliothèque Municipale de Lyon e outro na Biblioteca Nazionale Centrale di Roma.
Extremamente raro.
Preço: 4000 euros.

9886 – Câmara, Marta de Mesquita da – ARCO IRIS. Porto. Imp. Indust. Graf. Do Porto. 1924. 28 págs. 23, 5 cm x 16 cm. B.
junto com
DOIS POEMAS INÉDITOS MANUSCRITOS.
Primeira edição de “Arco Iris”, a segunda obra dada à estampa pela escritora e poetisa portuense Marta de Mesquita da Câmara (1895 – 1980) que, mais tarde, se viria a notabilizar como autora de livros infantis.
Ao livro juntam-se dois poemas que julgamos inéditos, escritos em ementas da “Homenagem a Marta Mesquita da Câmara” promovida pela Associação dos Jornalistas e Homens de Letras do Porto em 1967.
Exemplar um pouco manuseado, mas em bom estado geral de conservação.
Manuscritos em bom estado de conservação.
Preço: 80 euros.

9334 – [CATALUNHA. NACIONALISMO. IBERISMO] – Cases-Carbo, Joaquin – POESIES FRANCISCANO-MARAGALLIANES. I D ALTRES QUE POTSER NO EN SÓN PROU…: CONVENTUALS DIVERSES POLÍTIQUES. PROLÉG EN FRANCÈS DEL SENYOR JOSP BACHES (AMB UN RETRAT DE L AUTOR). Barcelona. Llibreria Catalònia. 1934. XV 175 pp. 19, 2 cm x 14, 2 cm. B.
Trabalho onde o nacionalista catalão e iberista Joaquin Cases-Carbo (1858 – 1953), dá à estampa um conjunto de poemas políticos, conventuais e outros escritos em diversas línguas (catalão, basco, italiano e português).
Com poemas dedicados a Teófilo Braga, Magalhães Lima, Manuel Azaña, Sabi Arana, Ramon Font, Ivonne Blanc, Miguel de Unamuno, Paul Valéry, entre outros.
Termina com o poema “España Sin Portugal”.
Com uma dedicatória do autor a José de Figueiredo.
Capas um pouco manchadas (ver imagem). Com uma emenda manuscrita feita pelo autor na pp. 48. Restante interior em bom estado geral de conservação.
Preço: 65 euros.


10822 – Castello Branco, Camillo – MARIA DA FONTE – A PROPOSITO DOS APONTAMENTOS PARA A HISTÓRIA DA REVOLUÇÃO DO MINHO EM 1846 PUBLICADOS RECENTEMENTE PELO REVEREDO PADRE CASIMIRO CELEBRADO CHEFE DA REVOLUÇÃO POPULAR. Porto. Livraria Civilização. 1885. 425 – (5) pp. 19 cm x 11 cm. E.
Interessante obra de Camilo Castelo Branco que nos proporciona várias camadas de leitura. Primeiro porque oferece-nos o conhecimento histórico do autor sobre um período histórico que terá vivido intensamente (quanto mais não seja pelo convívio e conhecimento dos seus principais protagonistas). Depois porque serve-se dos “Apontamentos” do Padre Casimiro José Vieira publicados por conselho do próprio Camilo (que por sua vez o encontrou através do Padre Senna Freitas. E, por fim, pela desmistificação do próprio mito de “Camilo Guerrilheiro”. Camilo afirmou várias vezes que foi Ajudante de Campo do General MacDonell, contudo, neste livro, limita o seu papel ao de um jovem que, em Vila Real, no “em pé no balcão do Zé da Sola” lia as proclamações do Padre Casimiro que depois repetia nas casas brasonadas da região, onde “bebia-se (…) muita jeropiga capitosa” naquelas “noites de alegria doida n’aquelle inverno de 1846 (…)”.
Sobre esta obra diz-nos o seguinte Alexandre Cabral no seu – Dicionário de Camilo Castelo Branco: “Editada por Eduardo da Costa Santos* em 1885, a Maria da Fonte era um antigo projecto de Camilo Castelo Branco tardiamente concretizado. Sabe-se que desde 1877 recolhia elementos sobre a insurreição de 1846 junto de personalidades que tinham tido participação directa nos acontecimentos: Pinho Leal, depois Manuel Negrão e Luís Barbosa e Silva. Contratada a edição primitivamente com Matos Moreira, pelo menos desde 1879, por um conto de réis/3 volumes, a elaboração foi-se arrastando ao longo dos anos. A dificuldade residia no facto de o autor ignorar as minudências do evento histórico conhecido por Maria da Fonte e/ou a Patuleia, ainda que dele tenha tido conhecimento indirecto: nessa altura andava o futuro romancista, a residir em Vila Real, embrulhado em amores irregulares com Patrícia Emília de Barros.
A primitiva ideia era descrever a revolta popular do Minho, que acabaria – depois de ter tido nas mãos o original do padre Casimiro José Vieira – de se reduzir à refutação da obra entretanto publicada do «general defensor das cinco chagas», como aliás se depreende do subtítulo da 1.ª ed.: «A propósito dos “Apontamentos para a História da Revolução do Minho em 1846” / publicados recentemente pelo reverendo padre Casimiro / celebrado chefe da insurreição popular», que seria eliminado a partir da 3.ª ed. É curiosa a observação de Luís Augusto Palmeirim*: «Um outro valioso alcance teve a Maria da Fonte do autor do Eusébio Macário: foi ajudar a vender o livro do padre Casimiro, que se não é Camilo Castelo Branco meter-lhe ombros para o desatascar da indiferença pública, corria o perigo de ficar a dormir nas livrarias, ao lado de muitas outras obras que não são com certeza… de misericórdia.» (In Ocidente, n.º 229, de 1-5-1885.)
Quanto à fábula aceite pela quase totalidade dos biógrafos camilianos de o romancista ter participado, na sua juventude, no movimento revoltoso, nada menos que como ajudante de ordens do general miguelista Reinaldo Mac-Donnell*, v. «A Lenda de “Camilo Guerrilheiro”», de A. C. (In Boletim da Casa de Camilo, III série, n.º 2, Dezembro de 1983, p. 7 e seg.)”.
Encadernação em artística executada pela “Invicta Livro” com lombada e pastas ricamente decoradas. Capa e contracapa de brochura fac-similadas. Interior em bom estado geral de conservação.
Preço: 200 euros.

10955 – Castello Branco, Camillo (trad.); Lady Jackson, Catharina Carlota– A FORMOSA LUSITANIA. Porto. Livraria Portuense – Editora. 1877. 448 – (2) pp. 23, 5 cm x 15 cm. E.
Livro sobre Portugal publicada originalmente em Londres, em 1874, com autoria de Chatherine Hannah Charlotte (Elliot) Jackson.
Elaborada com um grande cuidado gráfico, a obra foi traduzida e anotada por Camilo que, inclusive, corrigiu imprecisões da autora (ver Cabral, Alexandre – Dicionário de Camilo Castelo Branco, p. 280). Mais tarde, Camilo receberia uma uma extensa missiva da autora, que rebateu, ponto por ponto, «as observações que lhe fizera, quase sempre maliciosas.». Tempos depois, Camilo acabaria por mencionar Lady Jackson, desta vez com deferência, na revista A Arte, aquando da publicação dos primeiros capítulos d’A Brazileira de Prazins (id. ib., p. 350).
Com 20 gravuras extratexto.
Encadernação editorial em tela. Em muito bom estado de conservação.
Preço: 200 euros.


4795– Carneiro, Carlos do Valle – HORAS PORTUGUEZAS DO OFFICIO DA VIRGEM N. SENHORA E RAMALHETE MANUAL DE DIVERSAS ORAÇOENS OFFERECIDO A NOSSA SENHORA DA MADRE DE DEOS POR UM SEU DEVOTO. Lisboa. Na Officina de Domingos Gonçalves. 1739 (1) – (46) – 456 pp. 13, 5 x 7, 5 cm. E.
Edição setecentista desta popular obra de Carlos do Valle Carneyro. De acordo com Innocêncio Francisco da Silva no Tomo II do seu Diccionario Bibliographico Portuguez pouco se sabe da vida do autor sendo certo que “vivia na segunda metade do século XVII.— E [editou ] ou publicou:
182) Horas portuguesas do Officio da Virgem Nossa Senhora, e Rama-
Ihete manual de diversas orações: Lisboa, por Domingos Carneiro 1673.
12.»—Ibi pelo mesmo 1692. 12.°. Foi depois varias vezes reimpresso, e a ultima edição que vi é de Lisboa, 1820. 12.°”
O livro apresenta uma agenda com as festas móveis, um calendário com os meses do ano. Este calendário é curioso pois para além de ser um calendário hagiológico refere a hora estimada do nascer e do por do sol e apresenta um pequeno verso em que são dados conselhos para o mês em questão. Uma vez que estamos em Maio partilho o excerto relativo a este mês:
“ Lava a cabeça e viverás sadio/Come cousas de fresca qualidade/Na sangria de fígado me fio/Pois he para a saúde utilidade/Comer pés de animal é desvario/A cabeça também menos te agrade;/Usa do funcho, e bebe sua água/Que alegra o coração que vive é mágoa”
Nesta obra podemos encontrar diversas orações, ao Santo Sudário, a N. Senhora das Brotas, Virgem da Piedade de Santarém, N. Senhora da Pena em Sintra, N. Senhora da Lapa, entre muitas outras.
Ilustrado com pequenas gravuras no texto.
Na Biblioteca Nacional existem as edições de 1768 e de 1782.
Encadernação inteira de pele, possivelmente danificada. Coberta por um papel de apontamentos (possivelmente do século XIX) fixado à encadernação. Com várias notas manuscritas setecentistas e oitocentistas nas folhas preliminares. Pico de insecto na margem interior das pp. 165 a 271 sem afectar o texto. Um pouco manuseado mas em bom estado geral de conservação.
Preço: 65 euros.


10820 – Cesário Verde, José Joaquim – O LIVRO DE CESÁRIO VERDE. 1873 – 1876. Lisboa. J. A. Rodrigues e Cª. Editora. 1911. 135 pp. 19 cm x 11 cm. E.
“Reimpressão textual da primeira edição feita pelo amigo do poeta – Silva Pinto”. Esta obra, que quase dispensa apresentações, foi escrita por Cesário Verde (1855 – 1886) e publicada em 1887 pelo seu grande amigo Silva Pinto (ver nº 8046 deste catálogo) .
Encadernação inteira de pele primorosamente executada pela Invicta Livro. Lombada com nervuras e rótulos e decorada. Pastas decoradas com ferros dourados e com uma efígie gravada a seco. Capa de brochura com desgaste e restauro. Interior em bom estado de conservação.
Preço: 180 euros.

8513 – Claflin, Tenessee (Viscondessa de Monserrate) – ESSAYS ON SOCIAL TOPICS BY LADY COOK. London. The Roxburghe Press. [1895?]. 158pp; 126 pp; 20, 3 x 13 cm. E.
Interessante obra de Lady Cook (Tenesse Claflin, Viscondessa de Monserrate), em que a autora, conhecida pelas suas posições reformistas e sufragistas aborda, entre outros, os seguintes tópicos: Ideal woman; Virtue; Maternity; Aid for the poor; Short History of marriage; True love; Should the poor marry?; Degradation of the sexes; Lover’s gifts, etc.
O projecto de edição, anunciado no início da obra, dá nota da publicação de IV volumes, encontrando-se o V e VI volumes em preparação. O exemplar aqui apresentado reúne apenas os volumes I a III. Contudo, do que foi possível apurar, só estes volumes (I a III) terão sido efectivamente publicados.
A obra abre com um retrato da Viscondessa de Monserrate e do 1º Visconde de Monserrate (Francis Cook), a quem a obra é dedicada.
Encadernação editorial em tela um pouco manchada (ver imagem). Primeiras duas páginas um pouco sujas. Vestígios acidez provocada por ferrugem nas páginas 2/3 da “Third series”, fruto do agrafo usado para unir os volumes. Restante interior em bom estado de conservação.
Raro.
Preço: 80 euros.

10957 – Crespo, António Cândido Gonçalves – MINIATURAS. Coimbra. Imprensa da Universidade. 1871. 148 pp. 20 cm x 12 cm. E.
Primeira edição deste livro de poesias de Gonçalves Crespo, considerado um dos introdutores do parnasianismo em Portugal.
Gonçalves Crespo nasceu no Rio de Janeiro em 1846, filho de um negociante e fazendeiro português (ou de origem portuguesa) e de mãe mestiça ou negra (escrava, segundo algumas fontes). Muito jovem fixou-se em Coimbra, onde estudou Direito. Foi jornalista, poeta, tradutor e político. Após a publicação de “Miniaturas” granjeou um certo prestígio no meio intelectual português e terá sido por essa altura que conheceu Maria Amália Vaz de Carvalho, com quem casou em 1874. Morreu com apenas 37 anos de idade em 1883.
No que pouco que nos deixou escrito Gonçalves Crespo, é raro não encontrar um poema que não surpreenda pela estética ou pela capacidade de ir para além do gosto da época, produzindo uma poesia universal, que não deixa de lado as suas raízes nem o gosto e a paixão pela vida. Por vezes, através de uma visão ingénua – mas não distante ou indiferente – da sua juventude passada no Brasil, transmite-nos um sentimento peculiar de certas realidades que vivenciou (ver nº seguinte deste catálogo). No entanto, foi a originalidade e a força da sua poesia que marcou os poetas portugueses da sua geração.
Camilo Castelo Branco via-o como um poeta universal de língua portuguesa: “Chamam-lhe uns ateniense, outros brasileiro: eu quero que ele seja português. É português como Garrett, francês como Gautier, americano (…) como Longfellow, humorist como Godfrey Saxe, e espanhol como Campoamor. É de todos os países que têm poetas com intercadências de tristezas, risos, energias satânicas e angélicas maviosidades; mas na linguagem é português sem joio”.
Em “Miniaturas”, Gonçalves Crespo traduz para português o poema “Cortège” de Verlaine. A escolha deste poema – dificilmente fruto do acaso – deixa algumas interrogações quanto à sua interpretação por Gonçalves Crespo que, aliás, parece encriptar ainda mais na sua tradução o provável sarcasmo e subversão contido no poema . De qualquer das formas, trata-se provavelmente a primeira tradução de Verlaine para português e, assim, neste livro, este poema une três mundos ou talvez três tradições literárias (Brasil, Portugal e França) e abre portas a uma certa vanguarda que viria a caracterizar a poesia de Crespo que, contudo, só atingiria o seu expoente máximo em algumas das poesias coligidas em “Nocturnos”.
Encadernação com a lombada em pele. Interior em bom estado geral de conservação.
Preço: 150 euros.

10958 – Crespo, António Cândido – NOCTURNOS. Lisboa. Empreza Literária Fluminense. 1923. 248 pp. 18 cm x 11 cm. E.
Primeira edição. Dedicado à sua mulher Maria Amália Vaz de Carvalho, “Nocturnos”, reúne um conjunto de poemas de Gonçalves Crespo que iriam consolidar a sua fama como poeta e gravar definitivamente o seu nome nas letras portuguesas.
Pelas dedicatórias dos poemas percebe-se a ligação a diversas figuras da literatura e da sociedade portuguesa do seu tempo como Júlio César Machado, Eugénia Viseu (Viscondessa de S. Caetano), Teixeira de Queiroz, Tomás de Carvalho, Alberto Braga, Monteiro de Carvalho, Vicente e Bernardo Pindela, João de Almeida e Albuquerque, Antero de Quental, Condessa de Sabugosa, Alberto Pimentel, entre outros.
Das suas ligações ao Brasil (referidas no nº anterior) dá-nos sinal nos poemas “A Negra” e em “As Velhas Negras”, onde escreve: “As velhas negras, coitadas/Ao longe estam assentadas/Do batuque folgazão (…)/ E scismam: outrora e d’antes/Havia também descantes/E o tempo era tam feliz/Ai! Que profunda saudade/da vida, da mocidade/Nas mattas do seu paiz!/E pensam nos seus amores/Ephemeros como as flores/Que o sol queima no sertão…/Os filhos quando crescidos/Foram levados, vendidos./E ninguém sabe onde estão…”.
Encadernação modesta, com a lombada em tecido. Com anotações manuscritas (contas, notas, etc) nas pp. 16, 17, 20, 128, 125 (permitem a leitura do texto). Restante interior um pouco manuseado.
Preço: 30 euros.

10959 – Domingos, Paulo da Costa; Faria, Óscar (Coordenação). SISMÓGRAFO. FOLHA VOLANTE. NºS 1 A 7. 2018 – 2019. B.
Publicações que contaram com a colaboração de poetas e artistas como Inês Dias, Luís Henriques, Rui Chafes, Manuel de Freitas, Pedro Calapez, Rosa Maria Martelo, Rui Baião, Bruno Zhu, Yvette Centeno, Hernâni Reis Baptista, Fernando Brito, Manuel João Vieira, Marta Ângela e João Alves (Von Calhau).
Exemplares em bom estado de conservação.
Preço: 50 euros.

10243 – Eça de Queiroz (direcção) – REVISTA DE PORTUGAL. Porto. Editores Lugan & Genelioux. IV VOLUMES. 1889 – (4) – 790 pp; 862 pp; 770 pp; 818 pp. 23 cm x 15 cm. E.
Importante revista dirigida por Eça de Queiroz que reúne publicações de contos e textos, artigos e ensaios sobre literatura (e crítica literária), filosofia, política, finanças, economia, viagens, costumes e tradições, museologia, história, arqueologia, etc.
A revista contou com a colaboração e publicação de textos de diversos autores como Eça de Queiroz, Antero de Quental, Alberto Sampaio, Francisco Martins Sarmento, Ramalho Ortigão, Luiz de Magalhães, Isabel Leite, Fialho de Almeida, Theophilo Braga, Oliveira Lima, Guerra Junqueiro, Christovão Ayres, J. A. Gonçalves, José de Sousa Monteiro, Bernardo Pindella, Moniz Barreto, João Gomes, Bento Moreno, Fernando Leal, Medeiros e Albuquerque, Jaime de Magalhães Lima, Julio de Matos, Alberto Bramão, Rocha Peixoto, Teixeira Bastos, Julio de Matos, Acácio Antunes, F. Sá Chaves, Caldas Cordeiro, Batalha Reis, António Feijó, Raul Brandão, Wenceslau de Lima, Álvaro de Castelões, entre outros.
Encadernações em pele de boa execução. Capa do IV com algum desgaste. volume Com capas de brochura. Interior em bom estado de conservação.
Preço: 400 euros.

10435 – Falco, João (Irene Lisboa) – COMEÇA UMA VIDA. Lisboa. Seara Nova. 1940. 134 – (6) pp. 19, 5 cm x 12, 5 cm. B.
Interessante obra de João Falco, pseudónimo de Irene Lisboa (1892 – 1958), “Começa uma vida” é primeiro romance publicado pela escritora que, no ano anterior, havia escrito também sob o pseudónimo de João Falco “Solidão – Notas do punho de uma mulher”
Sobre “Começa uma Vida” diz-nos João Gaspar Simões ( ver Crítica I: a prosa e o romance contemporâneos. Lisboa: Edições “Seara Nova”, s.d. Coleção “Literatura” pp. 162): “A obra Começa uma vida, de João Falco, é-nos
dada como uma novela. Mas o artifício não dura: logo de entrada ficamos sabendo que o que na obra se nos conta se passou tal qual. Não se trata de uma novela escrita na primeira pessoa, como Jane Eyre, por exemplo. A mulher que na Jane Eyre conta a sua vida é a própria heroína da obra, mas é como heroína que ela no-la conta, não como autora. (…)Que devemos, pois, pensar de “Começa uma vida”. É uma obra de arte ou um documento humano? Se é um documento humano, atinge muitas vezes o nível da obra de arte. Basta, para isso, a clara e luminosa maleabilidade do seu estilo, a imponderável graça das suas evocações. Há nesta obra muitas páginas que nunca poderão morrer.”
Ilustrações de Maria Keil Amaral (1914 – 2012).
Exemplar em bom estado geral de conservação.
Preço: 38 euros.

4537 – Ferreira, José Maria de Andrade – LITTERATURA MUSICA E BELLAS-ARTES. 2 Volumes. [Rolland & Semiond] 1872. 240 – 311 – [1] págs. 20, 3 cm. E.
Estudo bastante completo sobre Literatura, Música e Belas Artes da autoria de José Maria de Andrade Ferreira que poucos anos depois (1875/76) publicaria com Camilo Castelo Branco o “Curso de Litteratura Portugueza”.
Esta obra divide-se em dois extensos tomos que abarcam, entre outros, os seguintes capítulos sobre as seguintes figuras e temáticas:
Volume 1:
“António Feliciano de Castilho”, “Luís Augusto Rebello da Silva”, “Rodrigo da Fonseca Magalhães”, “Adelaide Ristori”, “D. José de Almada e Lencastre”, “Joaquim Guilherme Gomes Coelho [Júlio Dinis]”, “O Beneficiado Francisco Rafael da Silveira Malhão”, “Raymundo António de Bulhão Pato”, “Revista Litteraria do Anno de 1855”, “Revista Litteraria do Anno de 1858”, “, “Revista Litteraria e Dramatica do Anno de 1863”, “Alguns Livros Ultimamente Publicados”.
Volume 2: “A crítica”; “Curso superior de letras”, “Poesia Popular”, “O Algarve e a sua poesia tradicional”, “O actor João Caetano”, “Revista Musical”, “O Arco de Sant’Anna, opera em quatro actos do maestro portuguez Francisco de Sá de Noronha”, “Sapho, tragédia lyrica de Pacini”, “Bellas Artes – Francisco Augusto Metrass”, entre outros.
Exemplar encadernado. Dois volumes encadernados num só tomo. Encadernação antiga em tecido e cartonada. Conserva as capas de brochura de ambos os volumes. Capa de brochura do primeiro volume com um carimbo: “Tomo I” Interior em muito bom estado de conservação.
Preço: 60 euros.

10430 – Fonseca, P. M. Joam da (S. J) – SATISFAÇAM DE AGGRAVOS E CONFUSAM DE VINGATIVOS, POR MODO DE UM DIALOGO ENTRE HUM HERMITAM, & HUM SOLDADO. DIVIDIDO EM DOIS TRATADOS COM EXEMPLOS & HISTORIAS NOTAVEIS EM CONFIRMAÇAM, DO QUE PRATICAM. Evora. Com as licenças necessarias na Offina da Universidade. 1700. (1) – (12) – 458 – (10) pp. 19, 3 cm x 13 cm. E.
“Ao Leytor – Por ver, pio Leytor estar o odio no mundo mui introduzido, e o que mais he para sentir, tam authorizado, que se acha ordinariamente em pessoas de maior authoridade, as quais tem por rezam de estado vingar qualquer aggravo, que lhes fizerem, e fazendo estado da sem rezam, tem por cazo de menos valer, e descredito de seu valor, perdoar a quem huma vez os aggravou, e admittir a sua amizade, o que em algum tempo se mostrou seu inimigo, ainda que lhes peça perdam do aggravo, que lhes tem feyto, antepondo seo errado juizo, e o appetite da vingança ao preceyto Divino, que Christo Nosso Senhor tanto nos deixou encomendado, mandando já vizinho à morte, como em testamento, nos amemos uns aos outros, o que nam podemos comprir sem perdoar os agravos & amar os inimigos”.
Para fazer valer o propósito radical de amar os inimigos – presente de forma explicita no Evangelho segundo São Mateus – e de difundir o mais consensual amor ao próximo, o Padre João da Fonseca (n. Viana do Alentejo c. 1632 m. Lisboa em 1701), imagina um diálogo entre um soldado e um ermitão ao longo do qual, com muita paciência e sabedoria à mistura, o ermitão vai progressivamente transformando o espírito impulsivo e vingativo do soldado irmanando-o com os ensinamentos cristãos. O Padre João da Fonseca seguia estes ensinamentos com grande rigor pois “visitava frequentemente os prezos nas Cadeyas publicas aliviando as aflições de uns com santos conselhos e a necessidade dos outros com repetidas esmolas (…) e nunca murmorou de pessoa alguma, antes se ouvia funcionar em matéria prejudical ao crédito do próximo divertia com prudente modo a partica (…), (ver Diogo Barbosa Bibliotheca Lusitana, Tomo II, pp. 606; 1933).
Ao longo da obra podemos encontrar um curioso caso de exorcismo: “Entrou o Diabo no corpo de huma molher Gentia; & depois de lhe dar muitos golpes, a arrebatou, & levou pellos ares, & pos sobre huma arvore muito alta: vieram os parentes para a tirar da arvore, & assim como chegaram ao ramo, se lhe fazia a molher invizivel; & vendo-se elles mui affligidos, dava o Diabo grandes rizadas, & dizia: livrayme vós dos Christãos, que de vós eu me livrarei; porem disgraçado daquelle, que os for chamar: & com medo, de que o Diabo lhe faria algum mal, ninguem se atreveo aos hir chamar. Neste tempo passáram a cazo por aquelle lugar dois Christãos, & sabendo, o que o Diabo tinha ditto, se puzeram a rezar as Ladainhas de Nossa Senhora; & dizendo, Santa Maria, Ora pro nobis, desceo a molher hum pouco do ramo (…)”
No final do livro podemos encontrar as seguintes relações:
– “Successos Maravilhosos que Deos obrou por meyo dos Christãos novamente convertidos pêllos Padres da Companhia de JESUS, em confirmação da verdade de nossa Santa Fé, no Reyno Tunquim do Imperio da China, do anno de 1673. athe o anno de 1692.”
– Relaçam da converçam admirável de hum Judeo succedida no Reyno de Boemia em a Cidade de Praga no anno de 1694
– Breve Relação do Martyrio do Veneravel Padre Joam de Britto, da Companhia de JESUS, morto pelo tyranno Regulo Maravá, em odio de nossa Santa Fé na Missam de Maduré aos 4. de Fevereyro de 1693.”
Ver Samodães 1, 1269.
Encadernação inteira de pele mosqueada, possivelmente de finais do século XIX, executada por José da Silva Santos – Porto. Mancha no pé de pág. 6 a 11. Restauro e reforço no pé de pp. 133/149. Restauro e reforço à cabeça das pp. 165/205. Alguns destes restauros afectam o texto sem impedir a leitura, Outros pequenos restauros, por regra nas margens ou no pé de pp. Um pouco manchado nas pp. finais. Apesar dos defeitos indicados pode considerar-se um bom exemplar.
Preço: 200 euros.

10956 – Guerra Junqueiro, Abílio Manuel – OS SIMPLES. Porto. Typographia Occidental. 1892. 126 – (2) pp. 16 cm x 10 cm. E.
Primeira edição desta que é uma das mais apreciadas obras de Guerra Junqueiro (1850 – 1923).
“ – O Peregrino: Florirei as pedras pelos maus caminhos!/Levo a luz dos astros e as canções dos ninhos/A sorrir nos beijos e a tremer no olhar!…”.
Encadernação sólida com a lombada em pele. Lombada decorada. Sem capa de brochura. Com uma fotografia de Guerra Junqueiro colada na página em branco a seguir a “Preludio”. Página seguinte com acidificação do papel. Pp. 110 suja à cabeça (sem tocar o texto). Restante interior em bom estado de conservação.
Preço: 85 euros.


10410 – [SIGLO DE ORO. JUDAICA] Henriquez Gomez, Antonio (Antonio Enríquez Gomez) – ACADEMIAS MORALES DE LAS MUSAS. Estãpado en Bourdeaux por el Señor Pedro de La Court. 1642. [24] – [1] – 478 – [6] pp. 22 cm x 16 cm. E.
Antonio Enríquez Gómez (1600? – 1663), comerciante, dramaturgo, poeta e nasceu em Cuenca (Espanha). Durante muitos anos foi-lhe atribuída uma ascendência ou naturalidade portuguesa (que hoje parece estar descartada). Contudo manteve relações próximas com Portugal (dedica um livro à Restauração de 1640 e a D. João IV). Inocêncio Francisco da Silva, no seu “Diccionario Bibliographico Portuguez” dá-o como natural de Portugal. Cristão-Novo (marrano), a sua condição forçou-o a viajar (e a exilar-se) em França onde se dedicou ao comércio. A “Biblioteca Espanhola-Portugueza-Judaica” (1891) de Meyer Kayserling descreve assim a sua passagem por França: “(…)A l’âge de vingt ans il embraça la carrière militaire et fut bientôt promu au grade de capitaine ; néanmoins il fut persécuté par l’inquisition, qui l’accusa de judaïsme et le brûla en effigie à Séville en 1660. Il gagna à temps la France , séjourna quelques années à Bordeaux et à Rouen, où il publia plusieurs de ses ouvrages (…)”. Poderá ter tido algumas relações e reconhecimento no meio literário uma vez que um dos seus sonetos se encontra inserido numa obra de Juan Pérez de Montalbán. Tendo regressado a Espanha viveu usando um nome falso, mas acabaria preso pelo pelo Santo Ofício, tendo morrido encarcerado em Sevilha em 1663. Nesta sua “Academia de las Musas”, Henríque Gomez reúne um conjunto de sonetos, décimas, elegias, canções, comédias, etc. sendo esta considerada uma das obras mais apreciadas do autor. A ideia do “peregrino” e da passagem encontram-se presentes nesta obra. É disso bom exemplo o poema “A un Cadaber”: Pasagero que miras sin cuidado/ Esse Cadaber, que biviente assido;/le castigo su Original pecado:/ Lo que palido ves ya fue rosado/loque sin a Alma ves tubo sentido/ y lo que esta sim material Oydo/ organo fue y ystubo bien templado/ Mirale bien, que a un que su vida es y da/ latiene en el exemplo, pues advierte/ a tu soberbio polbo su partida:/ Iulga agora, quien goça mejor suerte,/ El que vive faltandole la vida/O el que muere, Sobrandole la Muerte”. Há também algum humor com a sua própria condição, como se vê por exemplo em “La Prudente Abigail”: “(?) el ojo de gallo, el tinto, el blanco, la limonada, todo tienes en la mesa: y solo lo que te falta es el toçino,p orque en judea no se gasta”. Dedicada à “Magèstàd Cristianissima de D. Ana de Austria, Reina de Francia” o livro abre com um poema de Henriquez Gomez, seguindo-se uma “Apologia” do diplomata e e escritor português o Capitão Manuel Fernandes de Villareal (o melhor amigo do autor, conforme o próprio afirma). Depois segue-se o prólogo e alguns sonetos de amigos como Hier. Lopes, F. Casavvieilh e Alonso del Campo Romero. Este livro terá gozado de bastante popularidade, pois conheceu mais 5 edições ainda no século XVII (Ruão 1646, Valencia 1647, Madrid 1660 e 1668, 1690) e algumas edições (integrais e parciais) no século XVIII e XIX. Com um retrato do autor a abrir a obra. Encadernação provavelmente oitocentista inteira de pele mosqueada. Conserva a portada alegórica que serve de folha de rosto. Data e local de impressão na última folha do índice. Com pequenas emendas e sublinhados a tinta antiga ao longo do livro (nomeadamente nas páginas 12, 19, 24, 212, 221, etc.). Manchas de tinta que não impedem a leitura ou retiram o sentido do texto nas pp. 89/90, 247/49. Pequeno restauro antigo no canto superior das pp. 64 a 74. Restauro antigo das margens das pp. 477/78 (correspondentes à última folha de texto e primeira do índice). Outros pequenos defeitos. Restante interior em bom estado geral de conservação. Muito raro.
Preço: 2500 euros.

8395 – [NAUFRÁGIO DA NAU SANTIAGO. CARTAS DO JAPÃO] – Huysmannus, Gulielmus (ed.) – NARRATIONES RERUM INDICARUM EX LITTERIS PATRUM SOCIETATIS JESU. Lovanii. Ex. Officina Joan Masii, sub vriridi Cruce. 1589. 142 pp. 15 cm x 9 cm E. a-h//8; i//7
Obra coligida e traduzida por Gulielmus Huysmannus (m. 1613), Professor na Universidade de Lovaina. Neste livro Huysmannus reúne a descrição do naufrágio da Nau S. Tiago relatado pelo Padre Pedro Martins e algumas cartas da Companhia de Jesus relativas aos assuntos da China e do Japão. Após o capítulo intitulado “Epistola Nuncupatoria…” que abre o livro, começa a descrição do Padre Pedro Martins de uma viagem e naufrágio na costa de Moçambique (em que são feitas referências às regiões de Sofala e Quelimane e à Etiópia e a Ormuz). Alguns dos náufragos, chegados a terra, encontraram o nobre português Francisco Brochado, ali residente, que os viria a salvar. A narração destes episódios é acompanhada de uma extensa descrição das terras e povos daquela costa africana.
Supomos que esta poderá ser a primeira edição (ou uma das versões impressas mais antigas) deste naufrágio. Já no século XVII, em 160, Manuel Godinho Cardoso viria a publicar a “Relação do naufragio da Nau Santiago e Itinerario da gente, que della se salvou”. No século XVIII a relação deste naufrágio viria a ser publicada na “História Trágico-Marítima” de Bernardo Gomes de Brito.
A terceira parte do livro é relativa à presença da Companhia de Jesus na China e no Japão. Os relatos chegam-nos através de seis cartas dos Padres Jesuítas Alexandre Valignano, António de Almeida, Michael Rogerius, Pedro Gomes Luís de Fróis e Gaspar Coelho. Nestas epístolas são narrados os acontecimentos na China e no Japão nos anos de 1586, 1587 e 1588.
Estas cartas foram publicadas em duas edições anteriores (Roma, Francesco Zannetti. 1588 e Anversa Apresso di Christophoro Plantino. 1588).
Conseguimos localizar apenas 6 exemplares desta obra fora de Portugal
(OCLC): Universitätsbibliothek Göttingen, Universiteitsbibliotheek Utrecht, Universitäts- und Landesbibliothek, Münster Stadtbibliothek Weberbach , The British Library, St. Pancras e Biblioteca Nazionale Centrale di Roma.
Encadernação antiga em veludo. Um pouco aparado. Interior em bom estado de conservação.
Preço: 6500 euros.


10428 – [BRASIL. ARÁBIA. INDIA. CHINA. JAPÃO] – Maffeii, Giovanni Pietro
– HISTORIARUM INDICARUM LIBRI XVI. Venetiis. Apud Damianu, Zenarium. 1589. (56 pp) – 281 [fl. num]. 19 cm x 14 cm. E.
encadernado com
– SELECTARUM EPISTOLARUM EX INDIA LIBER QVATVOR. Venetiis. Ex. Offinina Damiani Zenarii. 1588. 211 [fl. num]. 19 cm x 14 cm. E.
A primeira parte desta obra do Padre Jesuíta Giovanni Pietro Maffei (1536 – 1603) diz respeito à história da missão jesuítica nas Índias com diversas referências a Goa, Diu, Calecute, Ceilão, Malaca, Maldivas, Cochim, Arábia, Ormuz, Sofala, China, Japão, etc.
A segunda parte consiste numa seleção de cartas sob o título “Selectarum Epistolarum ex India libri quatuor”, muitas das quais se relacionam com o Japão. Incluem-se ali as primeiras cartas das principais figuras na história da Companhia de Jesus no Japão: São Francisco Xavier, Luís de Froes, Gaspar Vilela, Luís de Almeida, Francisco Cabral, entre outros. Estas cartas são documentos importantes na fase inicial da presença portuguesa e da Companhia de Jesus no Japão, fornecendo os primeiros relatos os diversos aspectos da sociedade japonesa de então. O livro segue com “De Quinquaginta dvobvs e Societate Iesu Dvm in Brasiliam Navigant”, um capítulo relativo às missões dos Jesuítas no Brasil. E termina com “Ignatii Vitae” (a vida de Santo Inácio de Loiola).
Maffei viveu em Lisboa na década de 1570. Na capital portuguesa inteirou-se não só dos diversos aspectos da presença portuguesa no Oriente (Etiópia, Ormuz, Bahrein, India, China, Japão, etc) mas também dos progressos dos portugueses em África e no Brasil. Para mais ver Borba de Moraes pp. 508/509 ou Samõdães (nº 1934, ed. 1605).
Encadernação inteira de pele. Interior em bom estado geral de conservação.
Preço: 1800 euros.

10431 – [EROTISMO] – LA MAISON A PLAISIR OU LA PASSION DE GILBERTE. Paris. Chez LA Petite Lolotte, Galeries du Palais Royal. 1890. 80 pp. 17 cm x 10, 5 cm. E.
Obra publicada anonimamente, “La Maison a Plaisir ou la passion de Gilberte” é um conto que tem por pano de fundo os bordeis parisienses do século XIX e como personagem principal Gilberte, um frequentador desses espaços que se vê envolvido numa trama erótica de alto coturno onde o lesbianismo, o amor, as traições e desejos inconfessáveis constituem o ponto alto desta curiosa narrativa.
Edição limitada a 300 exemplares.
Encadernação modesta (de época) com a lombada em tela. Interior em bom estado geral de conservação.
Preço: 90 euros.

10377 – [EROTISMO] – MÉMOIRES DE MISS OPHÉLIA COX. TRADUIT POR LA PREMIÈRE FOIS DE L’ANGLAIS PAR LES SOINS DE LA SOCIÉTÉ DES BIBLIOPHILES COSMOPOLITES. Londres. Imprimerie de La Société Cosmopolit. 1892. 16 cm. E.
Raríssima edição deste livro erótico publicado pelo “Musée secret du bibliophile Anglais” de tiragem limitada a 500 exemplares. A obra terá sido editada em inglês (e talvez em alemão) por outras sociedades de bibliófilos sendo muito raro o seu aparecimento no mercado.
Algumas informações associam este livro a um certo pioneirismo na divulgação da prática da flagelação erótica por mulheres.
Ex-libris de A. Ramel.
Encadernação modesta com a lombada em pele. Interior em bom estado geral de conservação.
Preço: 150 euros.

8607 – [BRASIL] – Nabuco, Joaquim – MINHA FORMAÇÃO. Rio de Janeiro. H. Garnier Editor. 1900. X – 311 pp. 17, 7 cm x 11 cm. E.
Primeira edição desta que é talvez uma das mais importantes obras de Joaquim Nabuco (1849 – 1910). O escritor, que na sua juventude havia ganho notoriedade com a polémica que travou com José de Alencar, relata neste livro diversos aspectos da sua vida e mocidade. Escreve sobre as suas viagens à Europa e aos Estados Unidos, sobre a sua vida literária, sobre a sua carreira profissional, não deixando de dedicar dois capítulos aquela que, provavelmente, foi uma das suas maiores causas: o abolicionismo.
Encadernação com a lombada e cantos em pele. Interior em bom estado geral de conservação.
Preço: 35 euros.

9862 – [BRASIL. RECIFE. GUERRA] – Nestor, Odilon – VISÃO ESTHETICA DA GUERRA. Recife. Imprensa Industrial – 1 Nery da Fonseca. 1924. [2 brancas] – [5] [29] pp. 23, 5 cm x 15, 5 cm. B.
Da autoria do advogado, escritor, professor e político Odilon Nestor de Barros Ribeiro, esta “conferência realizada na faculdade de direito do Recife a benefício da Cruz Vermelha”, escolhe para tema a estética da Guerra. Com referências ao Padre António Vieira e muito influenciada pelos relatos das guerras da Antiguidade, que Nestor refere frequentemente, esta sua visão parte da seguinte asserção que algures neste opúsculo o autor nos deixa:
“A guerra é selvagem, ella é terrível; mas não deixa de ter também o seu lado esthetico. Poderei falar d’uma visão esthetica da guerra porque o terror mesmo tem o seu encanto e a sua belleza (…)”.
O livro apresenta uma dedicatória manuscrita de Odilon Nestor a João Grave, o celebrado autor de “Os Famintos”.
Exemplar nº 175 de uma tiragem de 200.
Em brochura. Um pouco manchado e manuseado.
Preço: 28 euros.

10819 – Nobre, António – DESPEDIDAS. Porto. 1902. (8) – 126 – (2) pp. 21cm x 14 cm. E.
De acordo com José Pereira de Sampaio (Bruno), o título deste livro “foi escolhido pelo poeta. (…) Em uma das crises de pungente desanimo que frequentemente o assaltavam no ultimo período da implacável infermidade a que sucumbiu, pediu elle que, se viesse a morrer, antes de poder publicar o seu livro, lhe dessem o título de Despedidas, significando este a sua retirada da vida litteraria; mas mais tarde deu a perceber claramente que assim o escolhera por serem as suas últimas poesias, visto que tinha perdido a esperança de cura da doença que o torturava (…)”.
A obra reúne poemas de António Nobre (1867 – 1900) escritos entre 1895 e 1899. Com poemas dedicados a Agusto Nobre, Martinho de Brederode, Francisco Cezimbra e Justino de Montalvão.
A publicação deste livro esteve a cargo de Augusto Nobre (irmão do poeta).
Com uma fotografia de António Nobre no início do volume.
Encadernação com a lombada e cantos em pele, executada por Invicta Livro. Capa de brochura restaurada. Págs. preliminares com falhas e restauros que não impedem a leitura do texto. Restante interior com alguns picos de acidez mas em bom estado geral de conservação.
Preço: 90 euros.

10413 – [BRASILIANA. COMPANHIA DE JESUS] – Pereyra, João (Padre) – EXHORTAÇOENS DOMESTICAS FEYTAS NOS COLLEGIOS, E CAZAS DA COMPANHIA DE JESUS, DE PORTUGAL & BRASIL COMPOSTAS PELO P. JOÃO PEREYRA DA COMPANHIA DE JESUS, PROVINCIAL QUE FOI NA PROVINCIA DO BRASIL, & VISITADOR GERAL, & VICE-PROVINCIAL NA PROVINCIA DE PORTUGAL. Coimbra. No Real Colegio das Artes da Companhia de Jesus. 1715. (28) – 638 pp. 20 cm x 14, 5 cm. E.
Obra da autoria de João Pereyra, da Companhia de Jesus. Borba de Moraes na sua Bibliographia Braziliana (Vol. 2 p. 657) diz-nos que João Pereyra nasceu em Ponta Delgada em 1647 e morreu em Lisboa em 1715. Foi Provincial e Visitador Geral da Companhia de Jesus no Brasil e Vice-Provincial em Portugal. A Diogo Barbosa Machado afirma na sua Bibliotheca Lusitana (vol. pp. 661) que João Pereyra foi também reitor dos colégios de Braga, Elvas, Santarém e Coimbra.
O estilo de escrita muito próprio dos homens da Companhia encontra em João Pereyra uma qualidade superlativa. Das diversas “exhortações” presentes nesta obra retirámos este excerto que nos pareceu familiar e que julgamos ser proveitoso: “(…)há uns volumes que se chamam digestos novos & velhos; porque os livros se vão bem digestos sabem muito melhor. Tudo o que sabe, nutre; é axioma dos médicos. Quem tomar sabor as letras, com elas se cria, delas come, delas se sustenta e delas vive (…)”.
Samodães 2, 2380.
Na folha de rosto encontram-se as assinaturas de posse do Licenciado Manuel Henriques do Rego e de João Guedes Coutinho (que poderá o mesmo João Guedes Coutinho que foi Abade de São João de Ver, Provisor do Bispado do Porto, etc).
Encadernação antiga (coeva) inteira de pele. Com duas assinaturas de posse na folha de rosto. Pico de insecto na margem em 9 folhas não numeradas no início do livro e no fólio A (pg. 1). Nota Manuscrita antiga na margem da pp. 73 e pico de insecto no pé dos fólios bb4 a cc4 sem afectar o texto. Restante interior com pequenos defeitos mas em bom estado geral de conservação.
Preço: 200 euros.

8178 – Pérez Galdós, Benito . EL AMIGO MANSO. Madrid. Administracion de La Guirnalda y Episodios Nacionales. [1882]. 312 (4) pp. 23, 5 cm x 16 cm. E.
Primeira edição deste importante romance de Benito Pérez Galdós (1843 – 1920).
A obra, que é uma crónica ficcionada sobre uma certa sociedade madrilena do seu tempo (com a respectiva crítica de costumes), abre com uma declaração do protagonista, o asturiano Máximo Manso, que nos remete para outras paragens literárias (ou que remete esses outros lugares da literatura para esta obra): “Yo no existo…(…) juro y perjuro que no existo; y al mismo tiempo protesto contra toda inclinación ó tendência a suponerme investido de los inequívocos atributos de la existência real. Declaro qui ni siquiera soy el retrato de álguien, y prometo (…) que no soy, ni he sido, ni seré nunca nadie. Soy (…) una condensación artística, diabólica hechura del pensamento humano (…) soy un ejemplar nuevo de estas falsificaciones del hombre que desde que el mundo es mundo andan por ahí vendidas en tabla por aquellos que yo llamo hogazanes (…) y que el bondadoso vulgo denomina artistas poetas, ó cosa asi. Quimera soy, sueño de sueño y sombra de sombra, sospecha de una posibilidad (…). Órden, órden en la narración. Tengo yo un amigo ha incorrido por sus pecados, que deben ser tantos en número como las arenas del mar, en la pena infamante de escribir novelas, así como otros cumplen, leyéndolas, la condena ó maldicion divina. (…)”.
Encadernação com a lombada em pele. Lombada com algum desgaste. Assinatura de posse a lápis na folha de anterrosto e a caneta no verso da folha de anterrosto. Carimbo na folha de rosto. Com um retrato (gravura) do autor possivelmente colado no verso da folha de rosto. Interior em bom estado geral de conservação.
Preço: 280 euros.

10564 – [CAMILIANA] – Pires, Ernesto – SCINTILLAÇÕES E SOMBRAS. Porto. Editor – Antonio José da Costa Valbom. 1883. 191 pp. 17, 2 cm x 12 cm. E.
Primeira edição deste livro de poesias e ensaio do poeta, publicista e militante republicano, Ernesto Pires (1857 – 1884).
Este exemplar pertenceu ao caricaturista limiano radicado no Porto Sebastião Sanhudo, fundador do célebre jornal “O Sorvete”. Sanhudo publicou n´O Sorvete alguns artigos de Camilo e, para além disso, foi autor de pelo menos uma caricatura do romancista.
Neste livro podemos encontrar na folha de anterrosto algumas notas manuscritas a lápis sobre a “camiliana” ali existentes (remetendo para respetiva página). Com a mesma caligrafia e na mesma página há também uma referência à actriz Emília das Neves. Ao longo do livro constatamos que o mesmo lápis fez algumas emendas. Na pág. 133, num poema dedicado a J. Alves Teixeira, outra nota manuscrita com a mesma caligrafia, parece indicar que se tratam de notas do punho de Sanhudo. Diz ter conhecido muito bem Alves Teixeira “nas lides tipográficas” (profissão que Sanhudo abraçou uma boa parte da sua vida).
No final da obra podemos encontrar o poema “A umas mãos pequeninas” de Gomes Leal (que Ernesto Pires imita e dedica a Gomes Leal na pp. 53).
O livro contém ainda uma apreciação de Camilo Castelo Branco aos poemas, bem como a crítica favorável de outros autores.
Com uma dedicatória do autor “ao ilustre caricaturista Sebastião Sanhudo”.
Encadernação modesta, com a lombada em tela. Furo que não afecta o texto nas pp. 37/38. Restauro à cabeça das pp. 87/88. Restante interior em bom estado de conservação.
Preço: 38 euros.


10426 – Sarabia, Antonio de (Don) [org.] – JUSTA LITERARIA. CERTAMEN POETICO, O SAGRADO INFLUXO, EN LA SOLEMNE, QUANTO DESEADA CANONIZACION DEL PASMO DE LA CARIDAD, EL GLORIOSO PATRIARCA Y PADRE DE LOS POBRES SAN JUAN DE DIOS, FUNDADOR DE LA RELIGION DE LA HOSPITALIDAD. CELEBROSE EN EL CLAUSTRO DEL CONVENTO HOSPITAL DE NUESTRA SEÑORA DEL AMOR DE DIOS, Y VENERABLE PADRE ANTON MARTIN DE ESTA CORTE, EL DOMINGO DIEZ DE JUNIO DEL AÑO DE MIL SEISCIENTOS Y NOVENTA Y UNO. DEDICADA AL RMO. P. FR. FRANCISCO DE S. ANTONIO…En Madrid en la Imprenta de Bernardo de Villa-Diego. 1692. (1) – (22) – 375 pp. 20 cm x 14 cm. E.
Obra que reúne poemas de Don Antonio de Zamora, Don Francisco Leitão Ulissiponense, Dona Teresa de Mesia, Don Andres Solis, Don Fernando de Valenzuela, Don Francisco Bueno, Don Juan de Quevedo Arjona, Don Juan de Ferreras, Fray Domingo Alvarez, Don Joseph Francisco de Zuera, Frey Diego del Peral Vereterra, D. Francisco de Campos Salazar, Don Fernando de Toledo, Don Jacinto Yañez de Ortega, Don Manoel de Losada y Quevedo, Don Rodrigo Ribadeneira Noguerol y Palma, Don Francisco de Matos y Guzman, Don Luis Antonio de Vargas, Don Manuel Suarez y Leyva, Don Francisco Salgado, Joseph Tavares Ferreira, Fray Miguel de Lima, Juan Pereira da Silva, Don Pedro de Castro Zorrilla Marañon, Diego de Naxera, Don Francisco Candamo, Don Joseph Antonio Mulsa, Don Joseph Tinoco, Don Gregorio Ortiz, Emmanuel Thomaz de Legazpi, entre muitos outros.
O livro termina com uma “Descripcion de la Iglesia de Nuestra Señora del Amor de Dio sen el hospital del venerable Padre Anton Martin; renovada para la celebracion de los cultos del Glorioso Patriarca Padre de Pobres San Juan de Dio sen su Canonizacion por la Santidadede Alexandro Octavo de feliz memoria (…)”. Esta última parte escrita em verso.
A obra abre com uma gravura de S. Juan de Dios.
Com um carimbo oleográfico na folha de rosto que aparenta ter as armas dos Portugal e Sousa de Arronches.
Encadernação em pergaminho. Restauro pé de pág. pp. 187 a 192. Interior em bom estado de conservação.
Preço: 600 euros


10901 – SENTENÇA DA ALÇADA, QUE EL REY NOSSO SENHOR MANDOU CONHECER DA REBELIÃO DO PORTO EM 1757, E DA QUAL SUA MAGESTADE FIDELISSIMA NOMEOU PRESIDENTE JOÃO PACHECO PEREIRA DE VASCONCELOS, FIDALGO DA CAZA REAL, DO CONCELHO DO MESMO SENHOR SEU DESEMBARGADOR DO PAÇO, DEPUTADO, E PROMOTOR DO TRIBUNAL DA JUNTA DA CRUZADA, &ETC. E ESCRIVAM JOZE MASCARENHAS PACHECO PEREYRA COELHO DE MELLO, MOÇO FIDALGO DA CAZA REAL, DO DESEMBARGO DE SUA MAGESTADE […]. Porto. Na Officina do Capitão Manoel Pedroso Coimbra. 1758. (1) – (6) – 132 pp. 19, 5 cm x 14 cm. E.
Como é sabido, as circunstâncias e o funcionamento da Companhia Geral da Agricultura e Vinhas do Alto Douro não foram do agrado de muitos. Para além das vantagens indevidas que Sebastião José de Carvalho e Melo (futuro Marquês de Pombal), Frei João de Mansilha e os seus apaniguados estariam a retirar da Companhia, a demarcação e as novas regras para o comércio dos vinhos do Douro desagradaram à população que se revoltou na cidade do Porto em 1757. Homens, mulheres e jovens, “grande parte da plebe de uma cidade que depois da Corte he sem disputa a mayor e a mais opulenta desta monarquia”, tomaram a cidade e amotinaram-se. Pombal, todo poderoso e resoluto, não demorou muito tempo a reagir. As expressões “Alta Traição” e “Leza Pátria” serviram para classificar o delito e procurar enquadrar juridicamente a forma como deveriam ser punidos os amonitados.
Esta “Sentença” dá-nos detalhes preciosos sobre os acontecimentos de 1757, sobre o número de presos, condenados à morte, ao degredo e às galés. Refere o nome dos envolvidos e as circunstâncias do seu envolvimento, constituindo um documento fulcral para compreender a versão oficial dos acontecimentos e uma peça de colecção sobre a história do Porto, do Douro, dos seus vinhos e das suas gentes.
Com a gravura alegórica relativa à Justiça a abrir o volume.
Com ex-libris de Fernando Alves Barata.
Encadernação com a lombada em pele. Interior um pouco manchado (ver imagem) mas em bom estado geral de conservação.
Preço: 180 euros.

10815 – Serpa, Alberto de – POESIA. Lisboa. Inquérito. 1944. XV – 315 pp. 24 cm x 19 cm B.
Colectânea de poesias de Alberto de Serpa que inclui as poesias “Varanda”, Descrição, Vinte Poemas da Noite, A Vida é o Dia de Hoje, Drama (Poemas da Paz e da Guerra), Lisboa é Longe e Fonte. Sobre Serpa diz-nos o seguinte João Gaspar Simões (ver “Critica II – Poetas Contemporâneos” pp. 249): “A poesia «moderna» não é para raros apenas. Pelo contrário, a poesia «moderna» representa nalguns dos seus aspectos, uma transigência com certas novas concepções da vida. A poesia «moderna» em determinadas manifestações, insisto, é uma poesia do largo auditório: uma poesia para as massas. (…). Enquanto teve de exprimir-se dentro dos moldes tradicionais Alberto de Serpa passou, como tantos outros, anódino. Cantava como todos cantam, sem voz própria, anónimo. Certo dia experimentou ser livre. Inesperadamente «as palavras misteriosas» vieram-lhe aos lábios. E então começa a marcha ascensional do poeta. Varanda, Descrição Vinte Poemas da Noite e A vida é o Dia de Hoje são os degraus dessa caminhada cada vez mais alta e mais firme (…)”.
Ilustrações de Paulo Ferreira.
Encadernação primorosa, inteira de pele com decorações nas pastas e lombada. Interior em bom estado geral de conservação.
Preço: 80 euros.

8046 – Silva Pinto, António José da – NO MAR MORTO. Lisboa. Parceria António Maria Pereira. 1902. 384 pp. 12 cm x 9 cm. E.
António José da Silva Pinto (1843 – 1911), imortalizado pela publicação do “Livro de Cesário Verde” (ver nº deste catálogo), foi um notável polemista, crítico literário e escritor rebelde.
Em “No Mar Morto” trata com o mesmo fogo, com a mesma paixão, casos corriqueiros que de alguma forma o marcaram e alguns escândalos nacionais. Dá alguma ênfase aos mais desfavorecidos: ao marçano que é espancado pelo patrão ou à criada de servir que foi violada. Preocupa-se com a instrução dos mais pobres, com a miséria moral do país…Recorda situações e figuras da sua mocidade, comenta a política nacional e internacional, narra episódios sérios e pícaros. Sempre num estilo vivo, bem-humorado e não raras vezes sarcástico que torna quase impossível não devorar esta obra bem escrita que é também um retrato fragmentado de uma época.
Encadernação modesta, com a lombada e cantos em tela. Interior em bom estado geral de conservação.
Preço: 18 euros.

9419 – Simonde de Sismondi, J. C. – L – NOUVEAUX PRINCIPES D’ÉCONOMIE POLITIQUE OU DE LA RICHESSE DANS SES RAPPORTS AVEC LA POPULATION. A Paris. Delaunay Libraire. 1819. 2 Volumes. VIII – 457 pp; 442 pp. 20 cm x 12 cm. E.
Primeira edição deste importante trabalho da autoria de Jean Simonde de Sismondi (1773 – 1842) sobre a economia e a redistribuição da riqueza que viria a influenciar outros economistas (dos quais se destaca Karl Marx).
Nesta obra vamos encontrar referências, reflexões e críticas aos trabalhos de Adam Smith, Ricardo, Colbert, Hauterive, entre outros.
O livro faz também referência ao trabalho, trabalhadore e valor, especialmente no capítulo IX intitulado “Classes qui travaillent sans que le prix de leur travail se réalise dans un object produit para elles”, sem deixar de fora questões como o trabalho escravo, a transmissão de património, o papel dos estados, etc.
Encadernações inteiras de pele. Lombadas ricamente decoradas. Pequenas falhas e desgaste nas lombadas. Selo de colcação em biblioteca nas pastas. Interior em bom estado geral de conservação.
Preço: 750 euros.

10379 – Sousa, Maria Peregrina de – RHADAMANTO OU A MANA DO CONDE. Lisboa. Typographia de Castro Irmão. 1863. 390 – (4) pp. 21 cm x 13 cm. E.
Segundo romance dado à estampa por Maria Peregrina de Souza (n. Porto 1809 m. 1886). Notável folhetinista e poetisa também se aventurou na recolha das tradições populares e folclore. Publicou 3 romances, inúmeros folhetins e colaborou em inúmeros periódicos. Viveu uma boa parte da sua vida numa quinta em Moreira da Maia. Foram “os seus escritos muito apreciados por António Feliciano de Castilho que lhe dedicou uma extensa biografia e louvados por Camilo Castelo Branco” (Castro, Zília Osório de; Esteves, João – Dicionário No Feminino séculos XIX .- XX pp. 239).
Exemplar com a lombada em pele. Com um pico de traça que atravessa todo o volume (à cabeça) sem tocar texto. Restante interior um pouco manuseado mas em bom estado geral de conservação.
Raro.
Preço: 80 euros.

10531 – Stanley, Henri M. – A TRAVERS LE CONTINENT MYSTÉRIEUX. Paris. Librarie Hachette et Cie. 1879. 2 vol. IV – 496 pp. – (1); 544 pp. – (1). 23, 5 cm x 15 cm. E.
Tradução de H. Loureau desta célebre obra de Henry M. Stanley (1841 – 1904).
Com referências a Zanzibar (e à influência árabe na região), ao Uganda, lago Tanaganyka, Congo, Cabinda, Luanda, etc.
Ilustrado.
Com mapas desdobráveis inseridos numa pasta no final de cada volume.
Encadernações editoriais com em tela. Corte dourado. Interior com acidez mas em bom estado geral de conservação.
Preço: 175 euros.

10737 – Tissot, M. – GYMNASTIQUE MÉDICINALE ET CHIRURGICALE, OU ESSAI SUR L’UTILITÉ DU MOUVEMENT, OU DES DIFFÉRENS EXERCICES DU CORPS, & DU REPOS DANS LA CURE DES MALADIES. Paris. Chez Bastien Libraire. 1780. (8) – 406 – (2) pp. 16, 5 cm x 9 cm. E.
Primeira edição desta obra onde o médico Clément Joseph Tissot (1747 – 1826) introduz a ginástica (fisioterapia) enquanto elemento essencial para recuperação do paciente (uma técnica que contrasta com os longos períodos de imobilização que até então eram recomendados como cura para grande parte dos males).
Segundo o que Tissot nos explica neste livro a “gimnastique médicinale” combinada com o repouso é a técnica para obter curas eficazes e mais rápidas para diversas doenças (descritas ao longo do volume).
Encadernação antiga, inteira de pele. Com algumas manchas (ver imagem). Manuseado, mas em bom estado geral de conservação.
Preço: 225 euros.
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