
6619 – Camões, Luiz Vaz de (Macedo, Fr. Francisco de Santo Agostinho de – trad.) – A LUSIADA DE LUIZ DE CAMÕES TRADUZIDA EM VERSOS LATINOS POR FR. FRANCISCO DE SANTO AGOSTINHO DE MACEDO – PRIMEIRA EDIÇÃO. REVISTA POR ANTONIO JOSÉ VIALLE (…) PUBLICADA POR VENANCIO DESLANDES. Lisboa. Imprensa Nacional. 1880. XVII – 478 pp. 18 cm x 12 cm. B.
Edição dada à estampa por ocasião das comemorações camonianas de 1880, revista por António José Viale e publicada por Venancio Deslandes.
Já muito foi dito e escrito sobre esta publicação pelo que pouco mais haverá a acrescentar algo que diga respeito aos méritos desta versão em latim de “Os Lusíadas”. Contudo, é impossível escrever sobre esta edição sem contar a história das versões manuscritas que lhe deram origem. Esta obra teve por base duas versões da tradução manuscrita de Fr. Francisco de Santo Agostinho de Macedo (1596-1681) que passaram por várias mãos tendo, inclusive, uma das versões desaparecido durante algum tempo… Fr. Francisco de Santo Agostinho de Macedo foi uma figura de vasta erudição. Estudou com os Jesuítas tendo depois tomado o hábito de São Francisco, lecionando anos mais tarde em Roma e em Pádua. Uma das versões do manuscrito esteve na posse do antigo egresso franciscano Frei Domingos da Soledade Sillos (que anos antes o havia comprado a um outro religioso, cujo nome desconhecemos). Quando Sillos morre em Guimarães em 1855, o manuscrito desaparece por algum tempo, não constando da primeira listagem de livros existente no inventário por óbito do antigo egresso franciscano. O caso agita o pequeno universo dos bibliófilos vimaranenses. Um dos advogados envolvidos no processo, o Dr. Bento António de Oliveira Cardoso (conhecido bibliófilo e possuidor de uma 1ª edição dos Lusíadas), afirma não haver na cidade ninguém capaz de avaliar manuscrito, tentando desta forma justificar o facto da obra não ser referida no inventário. A instâncias dos magistrados responsáveis pelo inventário de Frei Sillos, o manuscrito reapareceu. Ao que parece terá sido sonegado pela companheira do egresso que, estando informada do valor da obra, poderá ter caído na tentação de a querer vender à margem do inventário. É neste contexto algo nebuloso que esta versão d’ A Lusiada de Frei Francisco de Santo Agostinho de Macedo chega às mãos do conhecido bibliófilo José Joaquim da Silva Pereira Caldas. Anos mais tarde, foi adquirida por António Augusto de Carvalho Monteiro (conhecido por “Monteiro dos milhões”). A outra versão do manuscrito tem uma história mais linear. Pertenceu a Frei Francisco de São Luís (Cardeal Saraiva), que o deixou a ao seu sobrinho António Correia Caldeira. De Caldeira passou para as mãos de Venâncio Deslandes que o iria publicar na Imprensa Nacional em 1880 (cotejando-o, juntamente com António José Viale, com o manuscrito de Pereira Caldas), sendo essa a edição que aqui apresentamos.
Alguns anos depois, o manuscrito de Venâncio Deslandes acabaria por pertencer a António Augusto de Carvalho Monteiro que, desta forma, viria reunir as duas versões desta tradução saída da pena de Frei Francisco de Santo Agostinho de Macedo.
Exemplar com capas de brochura. Pequena perda na parte superior da lombada. Interior em muito bom estado de conservação.
Preço: 120 euros.
