
A “Maria da Fonte” foi há 180 anos. Terá começado como uma revolta popular que cedo se transformou numa guerra civil . Uniu fações opostas, juntando os mais arraigados miguelistas aos mais progressistas de entre os liberais . Curiosamente, fruto da romantização da História, das suas figuras e de algumas interpretações peculiares, a “Maria da Fonte” está mais presente no nosso imaginário colectivo do que a sangrenta e devastadora Guerra Civil que opôs D. Pedro a D. Miguel. Neste catálogo podem encontrar fragmentos da revolta popular da Maria da Fonte e da guerra civil que se seguiu.

10590 – Azevedo, João de (D.) – QUADRO POLITICO, HISTORICO E BIOGRAPHICO DO PARLAMENTO DE 1842 POR UM ERMITA DA SERRA D’AGRA. Lisboa. 136 pp. 19 cm x 11 cm. E.
encadernado com
– OS DOUS DIAS D’OUTUBRO OU A HISTÓRIA DA PREROGATIVA POR D. JOÃO DE AZEVEDO…Porto. Typographia Commercial. 1848. 142 – (1) pp. 19 cm x 11 cm. E.
Duas obras de D. João de Azevedo Sá Coutinho (1810 – 1854) encadernadas num só volume.
D. João de Azevedo foi deputado em 1842 e, em “Quadro Político”, elabora pequenos verbetes (bastante críticos e sarcásticos) sobre alguns dos seus colegas como por exemplo Rodrigo da Fonseca Magalhães, José Bernardo da Silva Cabral, Costa Cabral, Garrett, João Baptista Felgueiras, Agostinho Albano, Felix Pereira de Magalhães, Passos Manuel, Castilho, entre outros.
Em “Dous Dias de Outubro”, D. João de Azevedo procura descrever com imparcialidade acontecimentos em que participou, com o intuito de nos dar uma visão global da Guerra da Patuleia. Para tal, aborda os acontecimentos nacionais e o contexto (e intervenção) internacional.
A abrir a obra adverte: “Sentir-se repassar d’actualidade; ver-se identificado com os homens e com as cousas; haver presenciado à maior parte dos successos; ter interesses mais ou menos ligados ao predomínio d’esta ou d’aquella côr politica; e por fim aspirar a escrever com tal indifferentismo que ninguem nos possa taxar de parciaes, é na verdade alimentar o desejo mais irrealisavel, que Deos poderá pôr no coração do homem.
Por mais que o auctor trabalhe e se definha, é para nós fora de dúvida que as suas naturaes tendencias e affeições hão-de por força transluzir no seu modo d’escrever; e que em vista d’isto o unico meio, que ha de o fazer quando se tracta d’historiar factos coévos, é resignar-se a deixar fallar tanto o coração como a cabeça; declarar franca e lealmente a sua opinião, e regrando a frase por ella, dizer ao leitor que decida do resto.
Como foi que nós confeccionamos este escripto? Lendo, e relendo o Livro-Azul, o Diario do Governo, a Curta Exposição, os Periodicos da Junta; em fim, tudo que por uma e outra parte se escreveu ou commentou; e do resultado compondo este volume, que, por não ficar reduzido á condição de mero elenco, afeiçoamos ao molde d’obra historica, dando-lhe um seguimento e connexão, que se não encontra nos Jornaes.”
Exemplares encadernados num só volume. Encadernação da época inteira de pele. Lombada decorada. Interior em bom estado geral de conservação.
Preço: 48 euros.

7025 – Azevedo, João de (D.) – OS DOUS DIAS D’OUTUBRO OU A HISTÓRIA DA PREROGATIVA POR D. JOÃO DE AZEVEDO…Porto. Typographia Commercial. 1848. 142 – (1) pp. 19 cm x 11 cm. E.
Ver descrição do conteúdo no nº 10590 anterior deste catálogo.
Exemplar em brochura. Sem contracapa. Com uma assinatura de posse na folha de rosto. Manuseado e com defeitos.
Preço: 20 euros.

10973 – Azevedo, João de (D.) – QUADRO POLITICO, HISTORICO E BIOGRAPHICO DO PARLAMENTO DE 1842 POR UM ERMITA DA SERRA D’AGRA. Lisboa. 136 pp. 21 cm x 13, 3 cm. B.
Ver descrição do conteúdo no nº 10590 anterior deste catálogo.
Exemplar em brochura. Capas com pequenas perdas e defeitos (ver imagem). Interior em bom estado geral de conservação.
Preço: 18 euros.

2188 – Baptista, António Maria – UMA DÉCADA DA HISTÓRIA CONTEMPORANEA 1838 – 1848. Lisboa. Typ. de Alfredo da Costa Braga. 1888. 131 pp. 22 cm x 13, 5 cm. B.
Estudo de António Maria Baptista sobre os principais acontecimentos sociais, políticos e militares ocorridos entre 1838 e 1848. A obra encontra-se dividida nos seguintes capítulos:
A constituinte, Revolta das Marnotas, Um requerimento cartista, O 13 de março, A amnistia, O dia de Corpo de Deus, A reacção avança, Trabalhos eleitoraes, Antonio Bernardo da Costa Cabral, As camaras de 39, Barão da Ribeira de Sabrosa, O golpe d’estado, O Remechido, A questão britanica, As camaras de 40, Os tumultos de 11 d’agosto, Revolta de Miguel Augusto, Estado financeiro em 1841, Conflicto com a Hespanha, A restauração da carta, Ultimo arranco, O Triumphador, O que queriam e o que não queriam os cartistas, As primeiras eleições cabralistas, A lucta na imprensa (Sampaio e Leonel), A colligação, Cartistas e cabralistas, Revolta de Torres Novas, Hospeda e hospedeiro, As eleições de 1845, A revolução do Minho (Maria da Fonte), Um ministerio matricida, A emboscada de 6 d’outubro, Resistencia no Porto (Passos José), Batalha de Torres Vedras, O Galamba, A Junta do Porto e o partido legitimista, O general Povoas, Expedição ao sul do Tejo (Oliveira Braga), A montaria, Batalha do Alto do Viso, A quadrupla alliança, O Protocollo, O segundo consulado do conde de Thomar, Mulher e rainha, Estado financeiro em 1848, Movimento litterario, Movimento scientifico, Melhoramentos materiaes.
Exemplar muito manuseado. Com carimbos da Biblioteca do Regimento de Cavalaria nº 6. Com outros defeitos (ver imagem).
VENDIDO.

10986 – BOLETIM DA CASA DE CAMILO. III SÉRIE Nº 2 DEZEMBRO DE 1983. 135 pp. 22 cm x 16 cm. B.
Número do Boletim da Casa de Camilo onde é tratada a história da ligação de Camilo Castelo Branco ao General Mac-Donell e à Patuleia.
Exemplar em bom estado de conservação.
Preço: 8 euros.

6298 – CARTA DIRIGIDA AO CAVALHEIRO JOSÉ HUME MEMBRO DO PARLAMENTO SOBRE O ULTIMO DEBATE HAVIDO NA CAMARA DOS COMMUNS A RESPEITO DOS NEGOCIOS DE PORTUGAL POR UM ANGLO-LUSITANO. Londres na Typographia de James Ridgway 1847. Vertida em Portuguez, e Annotada por ***. Lisboa, Na Imprensa Nacional, 1847. VII . 223 pp. 22 cm x 14 cm. E.
“Atribuem-se a tradução e anotações desta carta ao falecido António Pereira dos Reis, o que só me constou muito depois de impresso o artigo que a este dizia respeito.” (ver Diccionario Bibliographico Portuguez, Tomo II, pp. 39).
São bastante interessantes e esclarecedoras as notas de António Pereira dos Reis (que ocupam uma boa parte do livro). As informações presentes neste livro afiguram-se fundamentais para o estudo deste período, especialmente no que diz respeito às relações entre Portugal e Inglaterra. Joseph Hume (1777 – 1855) foi um dos parlamentares britânicos mais vocais no que diz respeito à intervenção de Inglaterra na Patuleia, que contestava violentamente, tecendo também duras críticas à Rainha.
Sobre o autor diz Inocêncio o seguinte: “o Conselho de Sua Majestade, oficial da Secretaria d’Estado dos Negócios Eclesiásticos e de Justiça, deputado às Cortes em várias legislaturas etc. Nasceu na vila de Ourém em 1804 e morreu em Lisboa a 19 de abril de 1850. Veja-se a sua biografia no Estandarte, jornal político, n.º … de 20 de abril de 1850. Redigiu a Chronica Constitucional do Porto durante o cerco da mesma cidade, isto é, desde julho de 1832 até abril do ano seguinte, em que foi exonerado, preso e mandado processar em 23 do dito mês, como se vê da Chronica de 24. Julgo que também esteve posteriormente encarregado da redação do Diário do Governo em curtos intervalos” (ver Diccionario Bibliographico Portuguez, Tomo I, pp. 231).
Encadernação modesta com a lombada e cantos em pele. Interior em bom estado de conservação.
VENDIDO.

10975 – Casal Ribeiro, José Maria do – HOJE NÃO É HONTEM. 3ª EDIÇÃO. Lisboa. Typographia Neryana. 1848. 25 pp. 20, 5 cm x 13 cm. B.
Folheto publicado na sequência da queda do monarca Luís Filipe de França por José Maria do Casal Ribeiro (1825 – 1896). Nesta publicação, Casal Ribeiro considera a República uma solução face ao “caduco” sistema aristocrático e parece antecipar os restantes movimentos que o ano de 1848 traria… Refere a Maria da Fonte e a Patuleia como algo que os precedeu e que descreve nos seguintes termos:
“Grande para a nossa pequenez foi o movimento popular de Maio do 1846. Grande e nobre foi a resistencia, que começou em 9 de Outubro contra hum golpe de estado inqualificavel. Grande foi a lucta que durou nove mezes entre a Nação, e uma facção liberticida que se embrulhára no manto real para devastar o paiz — lucta em que a victoria não seria duvidosa, se tres monarchias não viessem suffocar o germen da liberdade portugueza. Grandes foram por certo esses acontecimentos, que chamaram sobre nós a attenção da Europa; que intimidaram as tendencias absolutistas; que fizeram pulsar pela nossa Causa muito coração generoso, que talvez até então ignorasse, que no extremo occidente da Europa, encravado entre a Hespanha e o Oceano, existe um pequeno paiz de tres milhões de habitantes que em outros tempos fez tremolar a sua bandeira gloriosa desde o Tejo até ao Ganges — marchando na vanguarda da civilisação.
E houve quem tivesse o despejo de affirmar que essa resistência forte, compacta e uníssona fôra devida ás instigações de ambiciosos, e ás falsas interpretações que se deram a huma lei tributaria!”.
Homem talentoso, Casal Ribeiro viria a exercer diversos cargos públicos e políticos. Em 1870 foi agraciado com o título de Conde do Casal Ribeiro por D. Luís I.
Exemplar não encadernado. Manuseado.
Preço: 18 euros.

10969 – COLLECÇÃO COMPLETA DA LEGISLAÇÃO SOBRE O ESTABELECIMENTO DE CEMITÉRIOS ENTERRAMENTOS E TRASLADAÇÕES DESDE 1835 ATÉ HOJE. Lisboa. Livraria do Archivo Juridico. 1889. 108 – III pp. 23 cm x 15 cm. E.
Uma das versões populares que explica a revolta da Maria da Fonte é a da oposição dos povos ao enterramento fora das Igrejas. O Decreto de 21 de Setembro de 1835, que abre esta colecção de legislação, procura solucionar a “pratica supersticiosa de enterrar os mortos dentro dos templos”, e determina que “em todas as povoações serão estabelecidos cemitérios públicos para neles se enterrarem os mortos”.
Nesta publicação ficamos a conhecer todos os decretos e alterações à legislação relativa a esta matéria desde 1835 até 1885.
Encadernação modesta com a lombada em pele. Interior com uma nota antiga escrita a caneta na margem da pp. 7 e com notas a lápis ao logo do volume. Em bom estado geral de conservação.
VENDIDO.

10822 – Castello Branco, Camillo – MARIA DA FONTE – A PROPOSITO DOS APONTAMENTOS PARA A HISTÓRIA DA REVOLUÇÃO DO MINHO EM 1846 PUBLICADOS RECENTEMENTE PELO REVEREDO PADRE CASIMIRO CELEBRADO CHEFE DA REVOLUÇÃO POPULAR. Porto. Livraria Civilização. 1885. 425 – (5) pp. 19 cm x 11 cm. E.
Interessante obra de Camilo Castelo Branco que nos proporciona várias camadas de leitura. Primeiro porque oferece-nos o conhecimento histórico do autor sobre um período que terá vivido intensamente (quanto mais não seja pelo convívio e conhecimento dos seus principais protagonistas). Depois, porque serve-se dos “Apontamentos” do Padre Casimiro José Vieira publicados a conselho do próprio Camilo (que por sua vez o encontrou através do Padre Senna Freitas). E, por fim, pela desmistificação do próprio mito de “Camilo Guerrilheiro”. Camilo afirmou várias vezes que foi Ajudante de Campo do General MacDonell, contudo, neste livro, limita o seu papel ao de um jovem que, em Vila Real, “em pé no balcão do Zé da Sola” lia as proclamações do Padre Casimiro que depois repetia nas casas brasonadas da região, onde “bebia-se (…) muita jeropiga capitosa” naquelas “noites de alegria doida n’aquelle inverno de 1846 (…)”.
Sobre esta obra diz-nos o seguinte Alexandre Cabral no seu – Dicionário de Camilo Castelo Branco: “Editada por Eduardo da Costa Santos* em 1885, a Maria da Fonte era um antigo projecto de Camilo Castelo Branco tardiamente concretizado. Sabe-se que desde 1877 recolhia elementos sobre a insurreição de 1846 junto de personalidades que tinham tido participação directa nos acontecimentos: Pinho Leal, depois Manuel Negrão e Luís Barbosa e Silva. Contratada a edição primitivamente com Matos Moreira, pelo menos desde 1879, por um conto de réis/3 volumes, a elaboração foi-se arrastando ao longo dos anos. A dificuldade residia no facto de o autor ignorar as minudências do evento histórico conhecido por Maria da Fonte e/ou a Patuleia, ainda que dele tenha tido conhecimento indirecto: nessa altura andava o futuro romancista, a residir em Vila Real, embrulhado em amores irregulares com Patrícia Emília de Barros.
A primitiva ideia era descrever a revolta popular do Minho, que acabaria – depois de ter tido nas mãos o original do padre Casimiro José Vieira – de se reduzir à refutação da obra entretanto publicada do «general defensor das cinco chagas», como aliás se depreende do subtítulo da 1.ª ed.: «A propósito dos “Apontamentos para a História da Revolução do Minho em 1846” / publicados recentemente pelo reverendo padre Casimiro / celebrado chefe da insurreição popular», que seria eliminado a partir da 3.ª ed. É curiosa a observação de Luís Augusto Palmeirim*: «Um outro valioso alcance teve a Maria da Fonte do autor do Eusébio Macário: foi ajudar a vender o livro do padre Casimiro, que se não é Camilo Castelo Branco meter-lhe ombros para o desatascar da indiferença pública, corria o perigo de ficar a dormir nas livrarias, ao lado de muitas outras obras que não são com certeza… de misericórdia.» (In Ocidente, n.º 229, de 1-5-1885.)
Quanto à fábula aceite pela quase totalidade dos biógrafos camilianos de o romancista ter participado, na sua juventude, no movimento revoltoso, nada menos que como ajudante de ordens do general miguelista Reinaldo Mac-Donnell*, v. «A Lenda de “Camilo Guerrilheiro”», de A. C. (In Boletim da Casa de Camilo, III série, n.º 2, Dezembro de 1983, p. 7 e seg.)”.
Encadernação em artística executada pela “Invicta Livro” com lombada e pastas ricamente decoradas. Capa e contracapa de brochura fac-similadas. Interior em bom estado geral de conservação.
Preço: 200 euros.

10976 – CURTÍSSIMA EXPOSIÇÃO DE ALGUNS FACTOS. Lisboa. Na Imprensa Nacional. 1847. 24 pp.
ADDITAMENTO À CURTISSIMA EXPOSIÇÃO DE ALGUNS FACTOS. Lisboa. Na Imprensa Nacional. 1847. 14 pp. 21, 5 cm x 15 cm. B.
Dois folhetos que se complementam escritos por “Um Portuguez” onde são narrados os factos da tomada de poder de Saldanha a Palmela.
O autor assevera ser “um dos mais íntimos amigos e admiradores do Duque de Saldanha; o que lhe proporcionava o particular conhecimento das grandes occurencias destes últimos tempos; sem que vejamos necessidade revelar o anonynimo, visto não ser nós que estamos em causa”.
Os folhetos foram provavelmente escritos pelo próprio Duque de Saldanha.
Conserva a capa de brochura. Sem contracapa. Exemplar manuseado.
VENDIDO.

10974 – EXPOSIÇÃO ÁCERCA DA ANTIGUIDADE ULTIMAMENTE DADA AO MAJOR DO CORPO D’ E.M. DO EXÉRCITO C. B. DE CASTRO FERRERI. Lisboa. Typ. de Antonio José da Rocha. 1850. 16 pp. 19 cm x 13 cm. B.
Exposição sobre questões relativas a postos e antiguidade no Exército onde, através da descrição do percurso militar do Major Ferreri, podemos ficar a conhecer parte da sua acção em Braga, ao serviço do Conde do Casal.
Exemplar não encadernado. Sem capas. Um pouco manuseado.
Preço: 12 euros.

10985 – EXPOSIÇÃO ANALYTICA DO PRONUNCIAMENTO DO DIA 17 DE MAIO EM BRAGA E DOS ACTOS DA JUNTA PROVISORIA NOS DIAS 17 E 18 DO DITO MÊS. Porto. Typographia Commercial. 1846. 31 pp. 18, 5 cm x 12 cm. B.
Um dos mais importantes documentos para perceber os factos ocorridos em Braga no dia 17 de Maio de 1846. Com transcrições de proclamações, movimentos e indicação das principais figuras ligadas aos acontecimentos daqueles dias.
Em brochura. Sem capas. Está em falta a página 31 (com que termina o folheto).
Muito raro.
VENDIDO.

6460 – Gavião, Manuel Lobo da Mesquita – COLLECÇÃO DE DOCUMENTOS ENEDITOS PARA A HISTÓRIA DA GUERRA CIVIL DE PORTUGAL NO ANNO DE 1847…Porto. Typographia do Nacional. 1849. 87 – (4) pp. 19 cm x 12 cm. E.
Colecção de documentos apontados e anotados por Manuel Lobo da Mesquita Gavião (c. 1780 – 1854), Capitão do Exército Nacional, agraciado com a Torre e Espada, Fidalgo da Casa Real que durante a Patuleia serviu como Quartel Mestre General do então Conde (Barão) do Almargem (Mariano Barroso Garcez Palha). A recolha de Gavião é apresentada pelo próprio da seguinte forma:
“Esta collecção contem 75 documentos todos ineditos, os quaes vão collocados pela ordem seguinte.
1.º Os que tratam das operações que tiveram lugar entre o Ave e o Minho desde Janeiro de 1847, até que o snr. Conde do Casal entrou com a sua gente no territorio hespanhol.
2.º Os que mostram o modo como foi dirigido o cerco do Castello de Vianna, até que a sua guarnição o abandonou, e cahiu em poder das forças da Junta.
3.º Os que indicam o verdadeiro estado da defesa, que offerecia a Cidade do Porto, quando os estrangeiros tomaram conta da esquadra da Junta.
4.º Os mappas da força existente na dita Cidade, quando teve lugar a convenção de Gramido.
Conterá mais algumas notas, afim de que se esclareçam varios factos occorridos durante as épocas, a que os documentos alludem.”
Deste conjunto de cartas trocadas entre o Conde das Antas e o Barão de Almargem.
Encadernação modesta com a lombada em pele. Com algumas anotações e sublinhados a lápis. Com um sublinhado feito a caneta. Interior em bom estado de conservação.
Raro.
VENDIDO.

10983 – O GRITO DA RAZÃO E DA NECESSIDADE. A TODO O PARTIDO LIBERAL. Porto. Na Typographia de S.J.Pereira. 1846. 8 pp. 21 cm x 15 cm. B.
Folheto que exorta os liberais a unirem-se, faz uma crítica ao clero que acusa de contribuir para “acender o facho da guerra civil”, fazendo notar que agora (em 1846) são vistos “por essa província do Minho arvorados em commadantes de guerrilhas (…)”. O folheto explora também as divisões do “partido realista”.
Raro.
Exemplar em bom estado de conservação.
Preço: 22 euros.

7005 – O LIVRO AZUL OU CORRESPONDÊNCIA RELATIVA AOS NEGÓCIOS DE PORTUGAL APRESENTADA EM AMBAS AS CAMARAS INGLEZAS. TRADUZIDO DO INGLEZ. NOVA EDIÇÃO CORRECTA. Lisboa . Typ. P. A. Borges. 1847. 456 pp. 20 cm x 12 cm. E.
Um dos mais importantes documentos para compreender os acontecimentos de 1846/47 e para o papel de Inglaterra na resolução do conflito.
Neste livro encontram-se reproduzidos centenas de documentos.
Encadernação modesta com a lombada e cantos em tela. Folha de rosto com falhas e restauros (ver imagem). Pico de traça da pp. 1 até 89. Manuseado mas em bom estado geral de conservação (com excepção dos defeitos assinaldos).
Preço: 28 euros.

6020 – O LIVRO AZUL OU CORRESPONDÊNCIA RELATIVA AOS NEGÓCIOS DE PORTUGAL APRESENTADA EM AMBAS AS CAMARAS INGLEZAS. TRADUZIDO DO INGLEZ. NOVA EDIÇÃO CORRECTA. Lisboa . Typ. P. A. Borges. 1847. 456 pp. 19,5 cm x 12, 5 cm. E.
encadernado com
DOCUMENTOS HISTÓRICOS RELATIVOS AOS ÚLTIMOS ACONTECIMENTOS POLÍTICOS DE PORTUGAL QUE NÃO VEEM MENCIONADOS NO LIVRO AZUL. Lisboa. Typographia de Borges. 1848. 166 pp.
Publicação do “Livro Azul” (ver descrição no nº anterior) a que se junta uma publicação autónoma onde são divulgados 132 “documentos históricos” com as mais variadas informações sobre este período histórico e sobre os seus principais protagonistas. São referidas as violências, prisoneiros, manobras militares e é publicada diversa documentação oficial.
Encadernação com a lombada em pele. Lombada deteriorada e com perdas. Contracapa solta. Interior em bom estado geral de conservação.
VENDIDO.

6524 – Motta Junior, José Carlos d’Araujo – REVOLUCIONARIOS DE 1846 E OS PYGMEUS DA ACTUALIDADE. s.d. 16 pp. 16 cm x 11 cm. B.
Curioso e raro folheto de José Carlos d’Araújo Motta (sobre quem não conseguimos obter muitas informações). No folheto (que deverá ser de 1895), é feita uma crítica violenta a certos aspectos da política nacional e é dado como exemplo a coragem das mulheres e dos homens de 1846.
Sobre o período de 1846, o autor começa por denunciar a corrupção e autoritarismo dos Cabraes: “Os Cabraes não contentes em corromper por meio de benesses, iam mais longe para elles não havia direitos individuaes, prendia-se por suspeita.” Depois conta o papel da sua família nos acontecimentos que então tiveram lugar, usando o exemplo para apelar à revolução: “O pae do auctor d’esta publicação José Carlos d’Araujo Motta, esteve preso e incommunicavel trinta dias, e quando o puzeram em liberdade, o seu caminho foi revolucionar o povo de Prado conjunctamente com seu irmão Antonio Carlos d’Araujo da Motta, primeiros que se arrojaram em desafrontar a lei violada. Era assim que havia comprehensão da liberdade na actualidade occupam-se os partidos colligados em banalidades de rethorica balofa, não tendo coragem para assumir a direcção e tomar compromissos de expropiar por utilidade publica, o governo, que ahi se exhibe, pois é úma affronta cuspida em todos os cidadãos, em que scintilla vislumbres d’amor patrio. Empunhem as espingardas e revolucionem o povo para salvar a liberdade e acabar com a hypocrisia dos farçantes e vendilhões que tudo conspurcam com baba immunda e pestilenta, pretendendo agaloar-nos com a libré dos archeiros do paço. (…)
E’ nojento o que tem feito a opposição dos republicanos progressistas nas suas investidas quixotescas contra a corôa. Promettem avançar denodados como cavalleiros destemidos e eil-os na expectativa idiota, com receio de ficar sem as benesses.
Farçantes e arlequins! Cavalleiros de triste figura! largae a mascara, o que desejaes não é salvar a liberdade, mas a babugem do orçamento e syndicatos. (…)”.
No fim termina com os versos da Maria da Fonte onde é dito que a personagem terá mesmo existido e foi Maria Angelina de Fonte Arcada.
O folheto é anunciado com um de vários fascículos a publicar.
Exemplar um pouco manchado. Impresso em mau papel.
Muito raro.
VENDIDO.

7024 – O NOVE DE OUTUBRO OU BREVES CONSIDERAÇÕES SOBRE A ÚLTIMA GUERRA CIVIL POR UM LIBERAL. Porto. Typographia da Revista. 1849. 196 pp. 20. 5 cm x 13, 2 cm. B.
Obra publicada anonimamente, por “um Liberal”, em que se apresenta a seguinte proposta ao leitor:
“Não nos propomos escrever a chronica d’um reinado, desejamos só legar aos vindouros a memoria de um grande acontecimento.
Presenceamos os nobres esforços, e incriveis sacrificios que se fizeram no Porto para reagir à tyrannia de uma corte pervertida; tratamos de perto os homens que geriram os negocios publicos, observamol-os attentamente nas variadas phases porque passára a revolução; e porque tantas e tão poderosas cauzas tenham concorrido para se deturpar, e offerecer ao mundo este notavel phenomeno politico inteiramente desfigurado, julgamos de rigoroso dever para todo o portuguez livre dar o seu contingente para que a verdade appareça em toda a sua pureza. Não nos limitaremos à simples narração dos factos, cujo complexo fórma a historia da memoravel revolução de nove de Outubro de 1846; descobrir porem as ligações que os prendem a outros anteriores, ignorados ou já sabidos; indagar todas as relações de causalidade que por ventura entre elles possam existir; apontar os erros commettidos pelos homens que dirigiram os acontecimentos, erros que em nossa humilde opinião causaram a perda da mais santa das causas em que povo algum jamais se tenha empenhado; arriscar finalmente algumas considerações politicas sobre as consequencias provaveis de tão extraordinaria commoção popular; eis o escopo do nosso trabalho.”
Exemplar bastante manuseado. Com alguns sublinhados a lápis azul.
Raro.
Preço: 24 euros.

9370 – OS PARDAES NA CEARA DA MARIA DA FONTE. Lisboa. Typographia Liberal. 1847. (4) pp. 31 cm x 22 cm. B.
Raríssimo folheto satírico onde são atacadas figuras “conspícuas” como Costa Cabral, Barão do Casal, Major General Vasconcelos, Grim Cabreira, Sr. Cunha (“actual Governador (…) de Angola”), o Bispo de Malaca, entre outros.
Neste folheto podemos encontrar uma poesia humorística que termina da seguinte forma: “Se não vêem os Ingleses/Desarmar a Patuleia;/Todos eles espichavam/Só de susto e diarrehia”.
Exemplar em brochura. Manuseado e com defeitos (ver imagem).
VENDIDO.

10977 – PROTOCOL OF A CONFERENCE RELATING TO THE AFFAIRS OF PORTUGAL, HELD AT THE FOREIGN OFFICE ON THE 21ST OF MAY, 1847. Presented to both Houses of Parliament, by Command of Her Majesty. June, 1847. London: Printed by T. R. Harrison. (1) – 6 – (1) pp.
Interessante documento onde podemos encontrar o protocolo realizado no Foreign Office, em Londres, a 21 de maio de 1847, no contexto da crise política e militar portuguesa da Guerra da Patuleia (1846–1847). A conferência contou com a participação de Inglaterra (representada por Palmerston), Espanha (representada por Xavier de Isturiz), França (representada por Jarnac) e Portugal (representado pelo Barão de Torre de Moncorvo).
Outros protocolos e acordos se seguiriam até que a convenção de Gramido (29 de Junho de 1947) que poria fim ao conflito.
Em brochura. Manuseado.
Preço: 30 euros.

6992 – REVISTA UNIVERSAL LISBONENSE. JORNAL DE INTERESSES PHISICOS, MORAES, E INTELLECTUAES COLLABORADO POR MUITOS E DISTINCTOS LITTERATOS E REDIGIDO POR JOSÉ MARIA DA SILVA LEAL. TOMO VI. ANNO DE 1846- 1847. Lisboa. Imprensa da Gazeta dos Tribunaes. 1847. VIII – 576 pp. 25, 5 cm x 18, 5 cm. E.
Revista publicada em Lisboa nos anos da Maria da Fonte e da Guerra Civil. Fruto de certos constrangimentos impostos à imprensa mas fundamentalmente pela linha editorial seguida, nesta “Revista Universal Lisbonense” não vamos encontrar referências relevantes ao estado do país ou à guerra. Aqui vamos encontrar reflexões interessantes produzidas no Portugal de então sobre agricultura, finanças, educação, etc. Nestas páginas, mais do que se dar notícia do estado do país em que se vivia, havia uma preocupação com o futuro traduzida em grandes linhas de actuação. Paralelamente, vamos encontrar questões relativas à cultura, relatos de viagem, publicação de contos e de poesias, etc. As notícias sobre os teatros da capital (e não só) são uma preocupação recorrente dos editores.
A revista encontra-se repleta de notícias curiosas, como por exemplo da autorização dada por Pio IX para que uma actriz lhe beijasse o pé, a notícia de uma menina que se disfarçou de homem para ingressar como corneta no Regimento 15, entre outras.
Nestes números de 1846 e 1847 da “Revista Universal” encontrar o retrato do de um país quase alheio à guerra e à incerteza.
Encadernação com a lombada em pele. Interior em bom estado geral de conservação.
Preço: 30 euros.

10597 – Vieira, Casimiro José – O VIMARANENSE E O PADRE CAZIMIRO OU A LIBERDADE LIBERAL. Braga. Typ. Luzitana – R. N. de Sousa. 1871. 53 pp. 20, 5 cm x 13 cm. B.
Folheto da autoria do Padre Casimiro José Vieira (1817 – 1895), o célebre “Defensor das Cinco Chagas e Comandante Geral das Forças Populares do Minho e Trás-os-Montes”, epíteto que pela altura da publicação deste folheto seria apenas uma memória distante…Apesar de afastado das lides guerrilheiras, o sentimento legitimista dominava o seu coração e a sua pena continuava a protestar contra o liberalismo, “esse infernal systema da liberdade liberal ou constituição, que Deus permitiu que viesse à terra como flagelo da sua ira para castigo nosso e que tem arruinado o mundo (…)”.
Este folheto do Padre Casimiro contra certos artigos publicados no periódico “Vimaranense”, permite-nos conhecer melhor a ideologia deste Padre-General que, anos antes, comandou as forças populares da “Maria da Fonte”.
Exemplar em bom estado de conservação. Com vários cadernos ainda por abrir.
Preço: 15 euros.
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